Funkeiros são condenados por ''Tapinha''

Hit incitaria violência contra mulher

O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2008 | 00h00

A equipe de som Furacão 2000 foi condenada pela Justiça Federal de Porto Alegre a pagar R$ 500 mil de indenização pelo CD Tapinha, que incluía a música Um Tapinha Não Dói. A decisão foi do juiz Adriano Vitalino dos Santos, da 7ª Vara Cível Federal, que entendeu que a música incita a violência contra a mulher. A indenização deve ser paga ao Fundo Federal em Defesa dos Direitos da Mulher.O juiz afirmou que o "tapa" não é ato banal e inofensivo como retratado na música, mas que "causa dor física na vítima, além do abalo psíquico decorrente da humilhação que o gesto em si constitui". Para ele, a "garantia constitucional da livre manifestação do pensamento, bem como da livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação não pode representar salvo-conduto para a violação de outros valores constitucionais"."Não agredi nenhuma mulher com minha música", defende-se MC Naldinho, autor e intérprete da canção. Ele explicou que a idéia da música surgiu num dia em que deu um "tapinha corretivo" em sua filha Karolyne, hoje com 10 anos, mas com 3 na época. Ela retrucou: "Pai, um tapinha não dói." O funkeiro disse só gravou a música por insistência de um DJ que apostou no hit. Quando a canção caiu no gosto popular, disse o MC, ele se deu conta de que a interpretação era bem diferente do contexto em que a música surgiu, mas não se incomodou."A malícia está na cabeça das pessoas", argumentou Rômulo Costa, dono da Furacão 2000, que pretende recorrer da sentença. Segundo ele, a sentença é moralista e um ato de censura. Na opinião de Rúbia Abs da Cruz, coordenadora da Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, co-autora da ação, a condenação da equipe Furacão 2000 é educativa.

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