Furto de notas no Museu do Ipiranga

Sumiram mais de 900 cédulas e moedas antigas; polícia apura crime por encomenda, com ajuda de funcionários

Sérgio Duran, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

Nem o armário trancado - que fica numa sala também fechada, da qual apenas uma diretora e o chefe dos seguranças têm as chaves - nem as câmeras nos corredores impediram, no fim de semana, o furto de cerca de 900 peças do setor de moedas antigas do Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, na zona sul de São Paulo. A diretoria deu conta do sumiço na manhã de segunda-feira. A principal hipótese é de furto por encomenda, com colaboração de funcionários.Foram furtadas cédulas e moedas da Coleção Histórica de Dinheiro Nacional e praticamente toda a coleção de Vales Particulares e a de notgeld (dinheiro alemão e austríaco emitido em períodos de guerra). Ambas as coleções apareceram no Anais do Museu Paulista, publicação acadêmica de 2002.Por orientação da polícia, a vice-diretora do museu, Heloísa Barbuy, decidiu revelar o furto somente ontem. O 17º Distrito Policial (Ipiranga) abriu inquérito segunda-feira. Interpol e Polícia Federal também foram acionadas.O furto foi descoberto por um faxineiro, cujo nome não foi revelado. Na segunda-feira de manhã, ele foi limpar o vestiário masculino, no subsolo do prédio, e encontrou um saco de lixo fechado sem estar cheio. Ao abri-lo, achou embalagens de acetato de guardar dinheiro antigo. Em algumas, havia cédula.No local, foram encontrados envelopes pardos. O setor de numismática, com mais de 20 mil itens, fica no primeiro andar do prédio. Isso leva a crer que o criminoso tenha guardado tudo em envelopes, ido até o vestiário e, lá, retirado as peças das embalagens.Não há sinais de arrombamento no museu. A diretora do setor de moedas, Angela Ribeiro, disse à polícia que os objetos furtados foram vistos pela última vez na sexta-feira. O chefe dos seguranças, Ataíde Batista, disse que ninguém pediu as chaves no fim de semana.No inquérito, há cópias da escala dos seguranças e um diário de ocorrências. Na segunda-feira, há justamente uma anotação de que a chave do setor de numismática não estava no lugar. "A maior dificuldade é o fato de as câmeras gravarem imagens apenas da parte de circulação pública", afirmou o delegado Márcio Tosatti. A diretoria afirma que o museu tem sistema de segurança considerado bom para o padrão brasileiro.

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