Futebol, comércio e ditaduras no roteiro presidencial pela África

Lula, que inicia hoje mais um giro pelo continente, passará por 6 países até 11 de julho, dia da final da Copa do Mundo

Leonencio Nossa / Brasília, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia hoje à tarde, em Cabo Verde, seu 11.º giro pelo continente africano. Até 11 de julho, dia da final da Copa do Mundo da África do Sul, ele passará por seis países, completando 21 visitas a nações da região durante os dois mandatos.

No domingo, Lula será recebido pela oitava vez por um ditador africano. Dessa vez, jantará com Teodoro Obiang Mbasogo, que governa a Guiné-Equatorial com mão de ferro há 31 anos.

A presença de Lula na Guiné-Equatorial tem tirado o sono de assessores do governo. O receio é a repetição de cenas de visitas anteriores a ditaduras africanas como Gabão e Camarões, onde Lula desfilou em carro aberto com o ditador Omar Bongo e participou de um banquete com Paul Biya, em 2004 e 2005, respectivamente.

Teodoro Obiang Mbasogo, de 68 anos, aparece nas listas dos mais sanguinários e corruptos ditadores africanos, elaboradas por entidades de direitos humanos dos Estados Unidos e Europa. Pesam contra ele acusações de fraudes, tortura e assassinato.

No poder desde 1979, quando derrubou o tio Francisco Macias, num golpe de Estado, só perde em longevidade no cargo, na África, para Muammar Kadafi, que controla a Líbia desde 1969.

Com fortuna estimada em 600 milhões de euros, Mbasogo tem cinco mulheres e uma rede de aliados com dinheiro das reservas petrolíferas da Guiné-Equatorial, descobertas a partir de 1995. Quase 60% dos 600 mil habitantes do país vivem abaixo da linha de pobreza.

Não há jornais no país. Em 2003, a rádio estatal anunciou que Mbasogo tinha "contato direto com o Todo-Poderoso" e podia "matar sem prestar contas e sem ir para o inferno".

Sem garantias. Segundo o Planalto, as exportações brasileiras para o continente passaram de US$ 2,3 milhões em 2002 para US$ 8,6 milhões em 2009 e o Brasil faturou votos importantes da África na disputa para garantir a realização dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

Alguns diplomatas do Itamaraty ressaltam que a política externa e as viagens de Lula não garantem apoio dos países africanos em fóruns internacionais. Prova disso foi o voto contra do Gabão nas Nações Unidas sobre a posição brasileira na questão do programa nuclear iraniano.

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