Futura CPI do tráfico do órgãos já tem caso para investigar

Um dos casos de tráfico de órgãos que a CPI da Câmara investigará assim que for instalada é o do menino de Poços de Caldas (MG), Paulo Veroni Pavesi, de 10 anos. Um dia após a internação por causa de uma queda da varanda, os médicos diagnosticaram morte encefálica e convenceram o pai a fazer doação. O garoto ainda permaneceu outras 48 horas sob manutenção no hospital aguardando o receptor, porém quando o pai recebeu a conta do hospital verificou que o filho levou anestesia geral para a retirada dos órgãos. ?Para que a anestesia se o meu filho estava morto??, questionou o pai, segundo relata o deputado Neucimar Fraga (PL-ES), autor do pedido de abertura da CPI e provável presidente da comissão. O caso está na Justiça sob suspeita de aceleração damorte do garoto. O deputado Fraga reuniu, nos últimos sete meses, mais de 15 denúncias sobre tráfico de órgãos que teriam ocorrido em Minas Gerais, São Paulo e Goiás, quando presidia um grupo de trabalho da Comissão de Segurança. Estas denúncias serão agora investigadas pela CPI, assim como a quadrilha internacional que aliciava doadores em Pernambuco para vender o rim a africanos e europeus. A Mesa da Câmara aguarda a lista com membros indicados pelos líderes dos partidos para marcar a data de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que irá apurar a atuação de organizações criminosas no Brasil. O deputado Neucimar apresentou, em maio, o requerimento de criação da comissão, mas já havia na Câmara cinco CPIs em funcionamento. Duas semanas atrás, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), informou a Neucimar que a CPI do tráfico de órgãos poderiainiciar os trabalhos. O deputado Fraga informa que o tráfico de órgãos humanos rende anualmente de US$ 7 bilhões a US$ 13 bilhões no mundo. Esse mercado, disse o deputado, é próspero porque a oferta de órgãos é inferior à demanda. Segundo ele, quem necessita de transplante e tem dinheiro acaba recorrendo ao mercado clandestino pois sabe que pode morrer na fila das listas oficiais de transplante. Fraga adianta que no Brasil existem ?dezenas de denúncias, com envolvimento de políticos, de médicos e de instituições?. O deputado lembra que o Ministério Público já investiga o desaparecimento de crianças que teriam deixado o país sob o pretexto de adoção e nada se sabe sobre o destino de tais menores. Uma das hipóteses é a de que estas crianças seriam vítimas das quadrilhas. O deputado também sustenta o pedido em denúncias de tráfico de órgãos em um hospital universitário em Franco da Rocha (SP). Vários corpos exumados confirmaram a retirada ilegal de órgãos. Um dos médicos que participava da coleta de órgãos já tinha sido denunciado em Taubaté (SP).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.