Werther Santana/Estadão
Gestores destacam que os horários de trabalho vão mudar nos próximos anos, o que exigirá inovação com sustentabilidade Werther Santana/Estadão

Summit Mobilidade: Futuro com drone e aviação urbana, sem condutores

Debate inicial do Summit foca as soluções de mobilidade inovadoras que já surgem no Brasil e no exterior e vão avançar pós-covid

Heraldo Vaz, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

28 de maio de 2021 | 05h00

Carros do futuro sempre passaram pelas ruas dos estúdios de Hollywood, o distrito cinematográfico de Los Angeles. Mas inovações como “veículos autônomos, aviação urbana e drones” destacadas pelo diretor de Sustentabilidade do Departamento de Transporte de Los Angeles, Marcel Porras, estão bem próximas da realidade. No Summit 2021, ele defendeu a inclusão social e tecnologias sustentáveis como políticas públicas, em meio aos debates sobre o pós-covid.

Realizado pelo Estadão entre 17 e 21 de maio, o evento atraiu audiência online de mais de 5 mil pessoas a cada dia, com palestras e painéis temáticos. No debate inicial, Porras citou que, sem condutor humano, o carro autônomo já está em testes para transporte de gente e mercadorias. Empresas devem lançar sistema compartilhado com táxis aéreos em 2023. Para cargas, já são usados veículos aéreos não tripulados (Vants), os drones. Segundo ele, cresce na cidade o uso de automóveis elétricos, além de bicicletas e scooters compartilhadas.

E a pandemia foi potencializadora para Los Angeles, que fez parcerias com o setor privado para compartilhamento de veículos elétricos, uma energia limpa e com grande potencial em áreas com alta concentração de gases de efeito estufa. “Com o desconto para pessoas de baixa renda, 60% das viagens registradas foram feitas por elas.” Com apoio de universidades, um projeto para criação de empregos e ascensão profissional alcançou bairros carentes, com treinamento para manutenção da rede de carregadores elétricos.

Entre os impactos – nem tão negativos – da covid-19 se encontra a queda de 73% no movimento de passageiros nos ônibus locais e a diminuição do número de pessoas dirigindo carros. De olho na ocupação das ruas e geração de empregos, a cidade lançou um programa para cafés, bares e restaurantes. “Tomamos espaço para negócios de alimentação ao ar livre, garantindo o distanciamento físico”, contou.

No desenho desse programa, houve melhorias nas calçadas para melhor circulação das pessoas. “Também investimos em comunidades, pagando pelo conhecimento de quem sabe melhor como está o transporte público”, disse Porras.

Los Angeles ainda vai gastar US$ 40 bilhões para reparar suas estradas, as freeways, e as pontes. “Investimos US$ 1 bilhão para ampliar essa estrada”, contou, mostrando a imagem de uma via engarrafada. “Foi como jogar esponja no oceano. O tempo passou e o engarrafamento ainda está lá.”

Observando exemplos de cidades da América Latina, Los Angeles aprendeu com a experiência brasileira, realizada em Curitiba, para implementar o sistema BRT (bus rapid transit) no início dos anos 2000. Agora há uma nova iniciativa de expandir as vias para o trânsito de ônibus rápido. “Investir em transporte público melhora a vida da população”, explicou.

Home office

Outro participante do evento que propôs um olhar pós-covid foi o prefeito do Rio, Eduardo Paes. “Como em todas as pandemias na história das cidades, haverá mudanças importantes”, frisou ressaltando sobretudo a expansão do trabalho remoto. “O home office não será total, mas será a oportunidade de se deslocar menos para o escritório.”

Paes defendeu a reconversão de prédios de escritórios para imóveis residenciais como forma de revitalizar os centros das cidades brasileiras, dotados de muita infraestrutura. Para exemplificar, citou o caso do Rio, com um conjunto de modais de transporte, incluindo metrô, trem, BRT, aeroporto e barcas. Argumentou, porém, que esse centro fica abandonado à noite e nos fins de semana. “Por isso apoio o modelo cidade 15 minutos, adotado em Paris, que oferece todos os serviços básicos a uma distância menor da casa, aproximando trabalho e moradia. “O desafio é compactar mais a cidade, diminuir deslocamentos e usar, no limite, os modais disponíveis.”

Para o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, os horários de trabalho vão mudar “nos próximos dez anos”. “Temos de nos preparar, usando mais tecnologia e novos meios de transporte”, afirmou, destacando a importância de melhorar a sustentabilidade do transporte coletivo, ancorado quase exclusivamente em petróleo. O momento, disse, traz o desafio de pensar no pós-pandemia os problemas da mobilidade urbana.

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