Futuro de anistia a lojas em Z-1 vira incógnita

Na volta ao trabalho, nesta terça-feira, os vereadores têm um desafio: o que fazer com o projeto de anistia provisória para corredores comerciais localizados em áreas residenciais. Para ser transformada em lei, a proposta tem de passar por segunda votação na Câmara. Entretanto, os próprios petistas acreditam que dificilmente alguém vai querer abraçar a herança deixada pelo ex-líder do governo José Mentor (PT), agora deputado federal. O custo político para aprovação dos corredores foi alto. A matéria é polêmica, rachou o PT e é pouco provável que seja aprovada em definitivo. Na semana passada, enquanto Mentor tentava convencer os colegas no plenário a aprovarem seu projeto, que foi encampado pelo Executivo, o rebelde Carlos Giannazi (PT) protocolava um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a omissão do poder público em relação aos corredores. Além disso, os corredores são alvo de investigação do Ministério Público Estadual (MPE).A dedicação de Mentor à anistia atrapalhou todo o cronograma de votações em janeiro. Dos 13 projetos enviados pela prefeita Marta Suplicy (PT) para serem votados em sessões extraordinárias, apenas cinco foram aprovados, incluindo o dos corredores. Outro, da vereadora Myryam Athiê (PPS), que modifica o sistema de exploração da publicidade na cidade, conseguiu entrar no pacote e foi aprovado em segunda votação. Na quinta-feira à noite, o ex-líder conseguiu os 33 votos necessários e a regularização dos corredores passou em primeira votação. A data coincidiu com a despedida de Mentor da Câmara para assumir o mandato de deputado. Um uísque na copa dos vereadores após a sessão, oferecido pelo vereador Antonio Carlos Rodrigues (PL), e elogios dos colegas ao ex-líder na tribuna da Câmara marcaram a despedida. Agora, ficou a dúvida para os vereadores e os comerciantes estabelecidos de forma irregular. Nos próximos meses, o governo vai enviar para a Câmara a nova Lei de Uso e Ocupação do Solo e os planos diretores regionais. Se o projeto dos corredores for aprovado, o quórum para as outras duas propostas automaticamente subirá para 37 votos. Pela lei, o "gatilho" é aplicado quando mais de uma alteração de zoneamento é analisada em menos de um ano. No meio de tudo isso, estrelas da bancada petista serão substituídas por vereadores novos. Os deputados federais eleitos José Eduardo Cardozo, Devanir Ribeiro e Mentor já estão em Brasília. Outros três foram eleitos deputados estaduais e assumem em março: Ítalo Cardoso, Vicente Cândido e Adriano Diogo. Diogo já deixou a Câmara no mês passado para assumir a Secretaria do Meio Ambiente. A sua vaga na Assembléia pode provocar outra baixa: o vereador Carlos Neder, primeiro suplente do partido, pode assumir no seu lugar. Neder, entretanto, ainda não decidiu seu futuro. Outra novidade no PT é que a bancada na Câmara vai subir de 16 para 17 vereadores. A vaga da deputada estadual eleita Anna Martins (PC do B) ficará com o PT, por causa da coligação dos dois partidos em 2000.

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