Gabeira cogita desistir de disputar governo do Rio

Pré-candidato do PV reforça rejeição a aliança estadual com DEM, cria impasse para campanha de Serra e fala em concorrer à reeleição à Câmara

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2010 | 00h00

Apesar do esforço do PSDB para manter a aliança da oposição no Rio, o pré-candidato do PV a governador, deputado Fernando Gabeira, diz que sua proposta é de coligação "de três partidos", o que exclui o DEM. Gabeira cogita desistir da disputa ao governo, se os tucanos insistirem na coligação com o DEM. Nesse caso, disputaria a reeleição na Câmara.

"Não posso fazer uma candidatura simbólica ao governo. Tem de ter chance de vitória", afirma o deputado. Ele diz que seus eleitores não aceitam a parceria com o ex-prefeito Cesar Maia, candidato ao Senado pelo DEM.

O impasse atrapalha a campanha do pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, no Rio. Os tucanos não abrem mão da aliança com o DEM no Estado, para evitar problemas na coligação nacional, mas acreditam que Gabeira é o melhor palanque para Serra. O PSDB concorda que o deputado faça campanha para a pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva. Maia e o provável candidato a vice-governador, ex-deputado tucano Márcio Fortes, pediriam votos para Serra.

No Twitter, Cesar Maia falou ontem em coligação de "quatro ou três" partidos no Rio e disse que a decisão será tomada até o dia 30. As três legendas a que ele se refere são PSDB, DEM e PPS.

A proposta do PSDB é que Maia e Gabeira façam campanhas autônomas, embora na mesma chapa. Já o PV propõe que o DEM fique de fora e faça coligação com PSDB e PPS específica para a candidatura ao Senado. A fórmula dos verdes, porém, depende de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Os verdes querem lançar a vereadora Aspásia Camargo ao Senado.

"O PSDB tenta uma situação em que todos fiquem juntos, mas para mim está claro que não é possível", disse Gabeira.

Garotinho. Às vésperas de lançar sua pré-candidatura ao governo do Rio pelo PR, Anthony Garotinho ameaça retirar o apoio à petista Dilma Rousseff na disputa pela Presidência. Ele está insatisfeito com o que considera falta de empenho de Dilma em convencer algum partido aliado a apoiá-lo. As legendas da base do governo Lula estão com o governador Sérgio Cabral (PMDB), que tenta a reeleição, e o PR ficou sozinho no Estado.

Garotinho disse que pensa em "ficar neutro" na disputa presidencial. "Preciso ter uma conversa muito clara com minha amiga Dilma. O que eu ganho, do ponto de vista pragmático, com o apoio a Dilma? O PT está com Cabral. Pedi a ela que outros partidos da base pudessem me apoiar, mas vejo que caminham em direção oposta. Então, é melhor eu deixar meu eleitor livre."

PENDÊNCIAS NO RIO

Dilma Rousseff

Garotinho prometeu apoio, mas ameaça recuar. Alega que ela não tentou levar nenhum partido da base a aliar-se com o PR

José Serra

Gabeira (PV) rejeita Cesar Maia (DEM) em sua chapa e pode desistir da candidatura. PSDB e DEM não têm nome forte para enfrentar Cabral e Garotinho

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.