Gabeira vira candidato hoje em meio a crise

O deputado Fernando Gabeira será oficializado hoje candidato do PV ao governo do Estado do Rio em clima de desconfiança mútua entre os partidos que integram sua coligação: PSDB, DEM e PPS. A insistência dos tucanos em mudar o acordo estabelecido há mais de dois meses e lançar um candidato ao Senado para expor o número 45 na televisão desestabilizou ainda mais a aliança. Gabeira, que oscila entre 15% e 20% nas pesquisas eleitorais, vai para a campanha com uma coligação em crise e clima de ruptura.

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2010 | 00h00

Ontem, o presidente do PSDB do Rio, José Camilo Zito, ameaçava adiar a convenção majoritária do partido que confirmaria o apoio a Gabeira. Até a presença do candidato tucano à Presidência, José Serra, no evento não era mais certa. Integrantes do partido não escondiam o descontentamento com a possibilidade de adiamento e a falta de definição.

"É uma decisão unilateral do PSDB. Mas vários integrantes do partido já me avisaram que vão à convenção de qualquer jeito. É uma situação de conflito. Mas, no fundo, não passa de uma trapalhada", avaliou Gabeira.

O presidente do PV no Rio, Alfredo Sirkis, foi ainda mais enfático: "Crise de última hora no Rio pode entrar para os anais da molecagem política." A presença da presidenciável do PV, Marina Silva, está confirmada.

No início da semana, a Executiva Nacional do PSDB resolveu mudar acordos fechados com partidos aliados e lançar candidaturas ao Senado nos Estados em que a legenda não tivesse disputando o governo. Além do Rio, a decisão afetou a composição de aliança na Bahia, Pernambuco e no Distrito Federal.

O problema é que o acerto em torno de Gabeira foi marcado por crises. Ele mesmo ameaçou abandonar a candidatura várias vezes. Houve resistência ao lançamento do nome do ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) ao Senado. Depois, briga interna no PV entre Gabeira e Sirkis.

A indefinição sobre como se dará a participação da chapa na campanha de Serra também foi outra fonte de crise. Gabeira insiste que só apoiará Marina, o que desagrada aos tucanos.

O acordo formalizado em maio estabelecia que a chapa teria o vice indicado pelo PSDB - seria o ex-deputado Márcio Fortes -, com Cesar Maia e o advogado Marcelo Cerqueira (PPS) como candidatos ao Senado. Os tucanos agora insistem em tirar Cerqueira e pôr Fortes no lugar dele.

O presidente do PPS no Rio, Comte Bittencourt, é contrário à alteração, mas disse que a decisão caberá a Cerqueira. "Isso tudo gera uma crise desnecessária", avaliou.

Zito argumentou que o PSDB precisa ter espaço próprio na TV. "Estamos buscando o diálogo para trazer a solução. O PSDB acha que merece ter espaço no programa de TV na chapa majoritária por ter um candidato a presidente", justificou Zito, que nunca escondeu a insatisfação na aliança com Gabeira e a preferência em apoiar a reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB).

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