Gabinetes da Câmara de SP empregam ex-vereadores

Parlamentares e bancadas partidárias da Câmara Municipal de São Paulo têm nomeado, ou já nomearam e exoneraram, ex-vereadores para trabalharem em seus gabinetes . Pelos serviços prestados, os políticos recebem salários que podem alcançar, e até ultrapassar, a cifra dos R$ 3 mil mensais. Na lista de contratantes estão o vereador Edivaldo Estima (ex-PPB e, hoje, sem partido por ter votado a favor de projeto do PT que altera os gastos da Educação), o líder do governo, vereador José Mentor (PT) e a bancada do PMDB. Alguns trabalham de fato, outros, porém, nunca foram vistos nos gabinetes, andando pelos corredores, plenário ou salas do Palácio Anchieta, sede da Câmara. Os parlamentares contratantes negam a prática do clientelismo e garantem que os ex-vereadores são responsáveis pelos contatos com as bases eleitorais. A contratação de ex-veradores não é irregular, desde que o funcionário trabalhe de fato, mas, mesmo assim, o Ministério Público Estadual (MPE) garante já estar avaliando a situação. Estima já contratou três ex-vereadores que eram seus companheiros na bancada governista, na legislatura passada. O primeiro deles é Emílio Meneghini (PPB), que atua no gabinete como secretário-assistente 2 desde 1.º de fevereiro de 2001 e foi vereador na gestão Celso Pitta. Estima garante que Meneghini dá expediente na Casa, entretanto, na última semana, a reportagem do Estado ligou no gabinete do vereador e ninguém soube confirmar se ele trabalhava lá e se estava prestando serviços fora. Parlamentar na gestão passada, Alan Lopes (PTB) recebeu 18 mil votos na última eleição e não conseguiu se reeleger. Mesmo assim, não ficou fora da Câmara. Há 15 dias, Lopes também foi nomeado por Estima para ser seu secretário-assistente e em breve será promovido. "Ele será o meu chefe de gabinete", garante Estima. Meneghini e Lopes ganham, segundo Estima, "pouco mais" de R$ 3 mil mensais para atender bases políticas. "Isso não é só pelo valor (do salário), mas pela confiança e amizade. Eu ajudo e sou ajudado", afirmou o vereador. "Hoje mesmo (ontem), o Alan vai estar na rua comigo, trabalhando." Quando era líder da bancada do PPB, Estima também nomeou o ex-vereador Cosme Lopes (PPB), vereador na legislatura passada. Segundo Estima, Lopes atuava como secretário e "fazia política". Ele não soube dizer o salário de Cosme, que foi exonerado. Já o ex-vereador Mario Hato, irmão do atual vereador Jooji Hato (PMDB), foi nomeado em 17 de fevereiro de 2000 e exonerado em 31 de março de 2001, após ter rompido politicamente com o seu irmão. De acordo com a Assessoria de Imprensa do vereador e candidato ao governo do Estado Carlos Apolinário, que hoje está no PGT mas em 2001 era líder da bancada do PMDB, quando Apolinário assumiu a liderança Mário Hato já era funcionário da bancada. A assessoria também informou que Jooji Hato teria pedido para que Apolinário mantivesse o irmão no cargo. Jooji, por meio de sua assessoria, negou qualquer indicação ou pedido e disse que por ter brigado com o irmão não iria se manifestar. As nomeações também atingem o PT. O líder do governo, José Mentor, tem em seu gabinete a ex-vereadora Teresinha Martins (PT), que atua como uma das coordenadoras do gabinete. A reportagem ligou para a sala de Mentor e pôde constatar que a ex-parlamentar trabalha no local. "Ela me acompanha há 25 anos", defendeu Mentor.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.