Gabrielli tem agenda de candidato na Bahia

Petrobrás deu R$ 10,6 mi para o São João nordestino; R$ 8,5 bi só para festas baianas

Sergio Torres, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2011 | 00h00

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, tem participado nos dois últimos meses de reuniões com políticos na Bahia, assistido a cerimônias cívicas e a inaugurações e prestigiado festas interioranas. Dirigentes do PT baiano defendem que ele seja o candidato à sucessão do governador Jaques Wagner em 2014.

Tradicional festejo de meio de ano em todo o Brasil, o São João teve patrocínio da Petrobrás em 169 municípios no Nordeste - 142 só na Bahia. A ajuda financeira em seis Estados nordestinos (Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte) foi de R$ 10,6 milhões, dos quais R$ 8,5 milhões destinados à Bahia.

No feriado de 23 a 26 de junho (Corpus Christi), Gabrielli esteve nas festas juninas das cidades de Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus, Ibicuí, Itororó e Itapetinga. Na noite de 23, jantou no restaurante D"Guste, em Santo Antônio de Jesus (Recôncavo Baiano), com o prefeito Euvaldo Rosa (DEM) e vereadores.

Na mesma noite, foi a Cruz das Almas, também no Recôncavo. Chegou no início da madrugada do dia 24. Foi recepcionado pelo prefeito Orlandinho (PT). Em entrevistas, reproduzida em sites e jornais da região, ele justificou: "Estou aqui como presidente da Petrobrás, que patrocina o São João em 130 cidades".

No decorrer do dia, ele viajou para o sul da Bahia. Esteve em Itororó acompanhado dos deputados Geraldo Simões (federal) e Rosemberg Pinto (estadual), ambos petistas. Foram recebidos com uma churrascada pelo prefeito Adroaldo Almeida (PT).

Ainda na sexta-feira, visitou Itapetinga e almoçou com o prefeito José Carlos Moura (PT). Também foi a Ibicuí, onde o prefeito Cláudio Dourado (PTB) o levou para um encontro com 15 prefeitos, vereadores e lideranças políticas.

"No PT da Bahia existem quatro nomes com densidade para suceder Jaques Wagner. São ventilados Gabrielli, o senador Walter Pinheiro e os prefeitos Luiz Caetano (Camaçari) e Moema Gramacho (Lauro de Freitas). Na minha opinião, Gabrielli é o que tem mais consistência por ser executivo de uma empresa como a Petrobrás. Ele deu uma nova cara à Petrobrás, tornou-se pessoa com respeitabilidade sob o ponto de vista de gestão", afirmou Pinto, o político baiano mais próximo a Gabrielli.

Os mesmos supostos pretendentes foram citados como pré-candidatos petistas ao governo em 2014 pelo presidente do diretório estadual do PT, Jonas Paulo Neres. "Não há beligerância interna no PT. Gabrielli é meu amigo pessoal, tem perfil muito bom. Caetano tem primeiramente que eleger o sucessor em 2012. Pinheiro tem mais dificuldades porque, se deixar o Senado para concorrer, o PT perde a vaga (o suplente é do PP). Moema (prefeita de Lauro de Freitas) está em dificuldades para eleger seu sucessor", avaliou Neres.

Forças. No PT baiano fala-se que Gabrielli tem dois cabos eleitorais fortíssimos - o governador e o ex-presidente Lula - e um adversário também importante, a presidente Dilma Rousseff, que estaria interessada em mantê-lo na Petrobrás. Nenhum dos três veio a público falar sobre a sucessão baiana. Mas Wagner já deu sinais interpretados como pró-Gabrielli.

Em 25 de junho, levou-o à Cachoeira para a cerimônia anual que, por um dia, faz a histórica cidade do Recôncavo capital da Bahia. Doze dias antes, convidara Gabrielli para a solenidade de assinatura de contrato entre o governo e a Petrobrás, que passou a monitorar a emissão de fumaça por veículos à diesel em Salvador, Feira de Santana, Barreiras e Vitória da Conquista. No dia 2 julho, quando é celebrada a independência baiana, Gabrielli, vestido com camiseta de malha com dizeres alusivos à data, desfilou pelo centro histórico até parar em um botequim no Pelourinho, onde passou a tarde cumprimentando as pessoas.

No último dia 15, mais uma vez com Wagner, participou da cerimônia de 200 anos da Associação Comercial da Bahia. A petroleira bancou parte da obra de restauração da sede da instituição.

No dia seguinte, Wagner levou Gabrielli ao centro de convenções de um hotel na Barra. Na ocasião, o presidente da Petrobrás fez aos 74 prefeitos petistas da Bahia palestra sobre desenvolvimento nacional e regional.

A movimentação de Gabrielli na Bahia não passa despercebida pela oposição. Presidente regional do DEM, o ex-deputado federal José Carlos Aleluia afirma que "a Petrobrás está sendo usada para dar a eleição a seu presidente, oferecendo festas em todo lugar". Segundo Aleluia, "a administração (Wagner) está voltada a fazer o nome de um político desconhecido".

Os oponentes petistas de Wagner argumentam que a eleição ainda demora, mas que estão à disposição do partido e do governador. O prefeito Luiz Caetano afirma que a movimentação de Gabrielli não o incomoda, por ter "boa relação com ele".

Para Moema Gramacho, o processo está sendo conduzido pelo governador. "O momento é de unir forças. Qualquer disputa precipitada neste processo pode prejudicar. Quero acreditar que não haja campanha", disse ela.

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