Gaeco denuncia empresários que negociavam fios de cobre furtados

Interceptações da Operação Telefone Sem Fio demonstram esquema unindo ferros-velhos e empresa de Barueri

Marcelo Godoy e Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

04 Outubro 2008 | 00h00

O furto de fios e cabos de cobre de empresas de telefonia e de eletricidade alimenta o comércio legal do metal em São Paulo. Investigação feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que desencadeou a Operação Telefone Sem Fio, levou à denúncia nesta semana dos primeiros integrantes de uma das quadrilhas investigadas. Interceptações telefônicas demonstraram que do bando participavam donos de ferros-velhos e de uma empresa de cobre de Barueri, na Grande São Paulo. "Recebemos uma denúncia e chegamos aos nomes de Higor Marcel de Miranda, Nelson Miranda e Sérgio Provasi", afirmou o promotor Arthur Pinto de Lemos Junior. Eles foram acusados de receptação e formação de quadrilha. Higor e seu pai, Nelson Miranda, são sócios da empresa Rodes Comércio de Metais, onde o material furtado seria vendido. Sérgio Provasi é gerente comercial da Rodes e seria uma das pessoas que transportavam o cobre à noite, quando há menos fiscalização. Higor ficaria responsável pela compra do material furtado. Em conversas telefônicas interceptadas, ele pede aos integrantes de seu grupo que tenham cuidado para não serem surpreendidos pela polícia. Em um telefonema do dia 30 de agosto, Higor pergunta ao pai o que aconteceu com determinada carga. Na resposta, Nelson usa o termo "molhada", "encharcada" e "que não pega fogo" para dizer que ela podia estar sendo monitorada. "Ela não pega fogo e ainda fica com o BO (boletim de ocorrência) aqui dentro." A quadrilha não comprava diretamente dos ladrões a carga furtada. Para tanto, utilizava intermediários, como o ferro-velho Comércio de Sucatas Santa Rita, em Itapevi. O negócio seria de Fábio Alves Costa, que se tornou um dos principais fornecedores para a Rodes. Seu nome apareceu na investigação quando foram presos Evandro Francisco da Silva e Reinaldo Marculino, após roubarem 1,6 km de cabos telefônicos, avaliados em R$ 4 mil, em Santana de Parnaíba. Os dois afirmaram que a carga ia para Alves Costa. No início do ano, Fábio Alves Costa foi preso, ao ser surpreendido armazenando em sua empresa 15 quilos de cabos de cobre da Telefônica. Ele indicou que a carga iria para a Rodes. A prova definitiva veio após uma grande compra, quando foram usadas três carretas da Rodes para transportar 30 toneladas de cobre furtado. Toda a carga foi levada para o ferro-velho Dirceu Antônio da Silva Comércio de Metais, para que o cobre fosse moído. No entanto, um resto da carga foi apreendido pela polícia em uma caçamba na Rodes. Provasi, que estava no local, acabou preso. ORGANIZAÇÃO Na sede da empresa, a polícia apreendeu material que revela uma organização bem estruturada, em que os funcionários tinham funções específicas no esquema criminoso. Em agendas e planilhas, foi identificada uma rede de fornecedores e detalhes das transações. Os fios de cobre, por exemplo, eram negociados por quilo. O Gaeco suspeita que os lucros com a venda tenham sido "lavados" em restaurantes de Alphaville. A reportagem tentou entrar em contato com os denunciados, mas não houve retorno.

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