Galo atrai 1 milhão e reclama de peças de publicidade

Para prefeito, banners com propaganda de cerveja são reflexo da profissionalização do carnaval do Recife

Angela Lacerda, O Estadao de S.Paulo

03 de fevereiro de 2008 | 00h00

Maior bloco do planeta - o Guinness Book atesta -, o clube de máscaras Galo da Madrugada voltou a estender seu reinado ontem pelo centro do Recife. A saída, da Praça Sérgio Loreto, às 10 horas, teve à frente três carros alegóricos relembrando velhos carnavais, passistas de frevo e estandartes de blocos tradicionais. No seu 31º desfile, o Galo teve 26 trios elétricos - com orquestras de frevo - fazendo o roteiro de 5 quilômetros.O clube, que nasceu de um grupo de amantes do carnaval e do frevo que saía de madrugada pelas ruas do bairro de São José, hoje inunda com a folia uma área de 2 quilômetros quadrados, com camarotes instalados em todo o percurso. Seu fundador, Enéas Freire, sempre à frente do clube, reclamou das peças de propaganda de patrocinadores colocadas no lugar da decoração da agremiação, utilizando os postes das Ruas da Concórdia e do Sol, reduto do clube de máscaras. "Eles (a prefeitura) arrancaram nossa decoração para colocar marcas de cerveja", reforçou Marcos Aquino, da diretoria. O prefeito João Paulo (PT) argumentou que o episódio é reflexo da profissionalização do carnaval do Recife - que custou R$ 31,7 milhões. "Temos compromissos com patrocinadores, que devem ser honrados."A expectativa era de que a multidão na rua - mais de 1 milhão de pessoas - pulasse até o início da noite. Entre os blocos que saem com o Galo estava o maracatu Rugido do Leão, com tambores afinados e discursos evangélicos, de letras de louvor a Jesus. A poucos metros dos evangélicos, mulheres perguntavam em cartazes "Ora pílulas, você já foi excomungada hoje?", alusão à polêmica criada pela Arquidiocese de Olinda e Recife, que tentou suspender a oferta da pílula do dia seguinte nos postos de saúde.

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