Gandhi e Luther King na Campanha da Fraternidade

Segurança positiva, em oposição à insegurança provocada pela violência e pelo medo, é a tônica da Campanha da Fraternidade de 2009, que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lancará amanhã na Quarta-Feira de Cinzas nas 270 dioceses católicas do País. O lançamento oficial será na Basílica de Aparecida, em São Paulo, em missa celebrada pelo arcebispo d. Raymundo Damasceno Assis, presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam). "A campanha deste ano, cujo tema é Fraternidade e Segurança Pública, promoverá um debate amplo sobre a cultura da paz", diz o secretário executivo da campanha, cônego José Alberto Vanzella, autor do texto-base publicado para orientação das comunidades. Para superar a violência, a Igreja propõe que toda a sociedade, e não apenas católicos, busque a paz seguindo exemplo de homens como Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Sérgio Vieira de Melo, assassinados enquanto lutavam contra a injustiça e a opressão. "Precisamos mudar a mentalidade e a hierarquia de valores, num processo certamente demorado que deve envolver também o poder público", adverte Vanzella. O coordenador nacional da Pastoral Carcerária, Gunther Alois Zgubic, um padre austríaco que trabalha há 20 anos no Brasil, considera indispensável o comprometimento das cerca de dez mil paróquias e o apoio de outros grupos religiosos. "O número de homicídios caiu em São Paulo depois que o governo construiu mais escolas de ensino médio", afirma, apontando o investimento nos jovens como um dos principais caminhos para combater a violência. Gunther dá dois exemplos de sucesso no combate à violência - o município de Diadema e bairro paulistano do Jardim Ângela. O secretário geral da CNBB, d. Dimas Lara Barbosa, que fará a homilia da missa de amanhã em Aparecida, afirma que a violência precisa ser denunciada e a sociedade deve defender suas vítimas. "Sabemos que existe uma violência doméstica gravíssima, sobretudo contra a mulher e a criança."Outros tipos de violência, denuncia d. Dimas, são o crime organizado, o racismo, a tortura nas prisões, o desrespeito aos direitos humanos, além da violência praticada pela polícia e contra policiais. "Há uma verdadeira indústria que se desenvolve com a multiplicação de alarmes, seguranças, carros blindados e até mesmo de certos programas de rádio e televisão, que só aumentam o medo."

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