Ganeses que vieram para a Copa pedem refúgio no Brasil

Cerca de 250 que entraram no País como turistas procuraram a Delegacia da PF no Rio Grande do Sul para ficarem no Brasil

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2014 | 18h26

PORTO ALEGRE - Cerca de 250 ganeses procuraram a Delegacia da Polícia Federal de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, para pedir refúgio no Brasil desde o dia 30 de junho. Eles ingressaram no País como turistas, sobretudo em Natal, Fortaleza e Brasília, cidades que sediaram jogos da seleção de Gana na Copa do Mundo, e depois seguiram para o sul em busca de trabalho.  

O pedido de refúgio gera um protocolo que dá ao migrante acesso ao trabalho e direitos individuais e coletivos assegurados pela Constituição aos brasileiros. A condição é provisória e se mantém até que o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) decida se concede ou nega o refúgio.

Autoridades locais têm informações de que os ganeses já estiveram em outras cidades do País e optaram por seguir para Caxias do Sul porque a delegacia local da Polícia Federal consegue atender mais rapidamente a demanda e a cidade tem uma estrutura de acolhimento, o Centro de Atendimento ao Migrante (Cam), ligado à Igreja Católica. De posse do protocolo, boa parte deles já viajou para cidades de Santa Catarina e São Paulo, nas quais há promessa de emprego. Os que ficaram em Caxias foram abrigados pelo Cam em um seminário, onde têm recebido alimentos da prefeitura e doação de roupas da comunidade.

A repentina presença dos ganeses gerou preocupações em Caxias do Sul. A Polícia Federal vai investigar se o movimento é coordenado ou incentivado por intermediários mediante cobrança da valores financeiros dos africanos. O município, que já recebeu 3 mil haitianos e senegaleses nos últimos anos, teme não poder atender uma eventual nova onda migratória.

"Caxias do Sul é formada por imigrantes e gostamos de receber e acolher com dignidade, mas neste momento estamos com dificuldades porque há demissões na indústria e queda de movimento no comércio", diz a presidente da Fundação de Assistência Social, Marlês Andreazza. 

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