''Gangue do aluguel'' ataca no Morumbi

A Polícia Civil de São Paulo investiga uma quadrilha que adotou uma nova tática para assaltar residências de alto padrão no bairro do Morumbi, área nobre da capital paulista. Para driblar o esquema de segurança das mansões, o verdadeiro alvo de sua atenção, bandidos se passam por potenciais compradores das casas vizinhas - vazias e à venda ou para alugar. Pelo menos seis casos foram registrados nos últimos dois meses no 34º Distrito Policial e são investigados pelo Setor de Investigações Gerais (SIG) da 3ª Delegacia Seccional Oeste. Há suspeita de que o grupo atue em outras áreas.Na visita ao imóvel, enquanto dois integrantes do grupo, geralmente um casal bem vestido, despistam o plantonista da imobiliária, outra pessoa estuda como ter acesso à residência do lado. Caso haja oportunidade visível, dominam o funcionário e já pulam o muro para atacar a residência vizinha. Ali, roubam jóias, equipamentos eletrônicos, euros e dólares. Se não for possível um ataque rápido, os três vão embora, mas voltam de madrugada, passam a noite na casa vazia, aproveitam para comer pizza e hambúrguer, e aguardam o amanhecer para o assalto. Nesse caso, a vítima escolhida costuma ser dominada cedo, ao abrir a garagem. Quando não é o dono da mansão, o grupo aborda a empregada que chega para trabalhar.Muitas vítimas têm ido à delegacia para fazer reconhecimento por meio de álbuns de fotografia de criminosos. Alguns integrantes da quadrilha já foram até identificados por câmeras instaladas na região.Procuradas, três imobiliárias da região admitiram as ações, mas informaram que os plantonistas estão no imóvel para limpar o local e cuidar da vigilância, mas não são seguranças - atuam mais como "zeladores". Outros estabelecimentos e os proprietários dos imóveis não quiseram comentar a onda de roubos.MEDO"Vivemos um clima de insegurança e a idéia que tenho é de que uma mesma quadrilha tem agido em toda a região do Morumbi, pois tem armamento muito pesado. Os casos são recorrentes e não é qualquer quadrilha que utiliza armas como as que temos visto", afirma o presidente da Associação de Moradores Cidade Jardim Panorama (AMCJP), Juarez Alvarenga.Um dos motivos para a criação da entidade foi justamente o combate à violência. O Jardim Panorama tem cerca de 15 pequenas ruas arborizadas, com aproximadamente 200 residências e 200 apartamentos de alto padrão. Alvarenga reclamou da falta de segurança nas imediações e relatou que os moradores estão com medo de entrar e sair de casa. "Não percebemos aumento de viaturas e policiamento por aqui, como nos prometeram."

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

18 de dezembro de 2008 | 00h00

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