Ganhador da Mega-Sena é assassinado

Comerciante, que ganhou R$ 16 milhões com 13 colegas, em maio de 2007, foi baleado após churrasco

Tatiana Fávaro, O Estadao de S.Paulo

18 de novembro de 2008 | 00h00

A Polícia Civil de Limeira, a 151 quilômetros de São Paulo, investiga o assassinato do comerciante Altair Aparecido dos Santos, de 44 anos, morto com um tiro no peito na noite de anteontem, após um churrasco realizado em sua chácara, no Condomínio Residencial Portal das Flores. Em maio do ano passado, Santos ganhou com mais 13 colegas um prêmio de R$ 16 milhões na Mega-Sena.Duas pessoas que costumavam jogar com o grupo em bolões organizados por Altair num bar de sua propriedade não tinham pago a aposta e foram deixadas de fora do rateio. Uma delas, o aposentado Dorgival de Oliveira, de 52 anos, foi apontado como principal suspeito pela família de Santos.A mulher da vítima, Maria Izabel dos Santos, disse à polícia que seu marido teria sido ameaçado com a frase "Limeira está pequena para nós dois", três dias antes do crime. Oliveira apresentou-se ontem à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e negou o crime. "Eu nunca fiz nenhuma ameaça. Fizeram isso para aproveitar, já que eu estava no rolo da Mega-Sena", afirmou em entrevista.Em depoimento, Oliveira admitiu ter dito que não havia mais lugar para ele na cidade, que pretendia se mudar para fazer um tratamento médico e chateava ver os amigos fazendo festas com o dinheiro. "A gente sempre jogava junto. Às vezes, um não pagava antes, mas ele (Altair) cobrava depois", afirmou a jornalistas. Cada ganhador deu uma parte em dinheiro a duas pessoas. Oliveira recebeu R$ 270 mil. "Depois disso, até pedi mais R$ 25 mil para o Altair. Ele pediu 15 dias e ficou por isso mesmo." Oliveira informou que na noite de anteontem deixou sua neta na casa da filha e foi a uma lanchonete, por volta de 21h30, voltando para casa 40 minutos depois. O crime ocorreu por volta de 21h30. Santos havia passado o domingo com a família e amigos, no aniversário do filho Diego, de 9 anos. A família informou que, por volta de 21 horas, estavam na casa os pais de Santos, Vanadir e Conceição, a mulher e Diego. Santos teria saído para apagar uma luz, quando foi feito o disparo. Santos foi socorrido por um vizinho, mas morreu a caminho do hospital.O titular da DIG, João Batista Vasconcelos, descartou um pedido de prisão de Oliveira. "Ele é suspeito em tese, porque essa possibilidade foi aventada pela família." O delegado disse não ver indícios e liberou Oliveira. De acordo com o depoimento do porteiro Laudelino Paiva, que trabalhava no local, não houve nenhum movimento suspeito. O delegado informou que o assassino pode ter entrado pelo terreno baldio, nos fundos da chácara. Os investigadores da DIG vão pedir as placas dos veículos que entraram e saíram do condomínio. A polícia ouve hoje parentes, vizinhos e amigos de Santos.Ontem, durante velório e enterro, parentes não deram entrevistas. Depois de ganhar na Mega-Sena e se desfazer do bar, Santos investiu o dinheiro em uma loja e em uma metalúrgica.

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