Garcia chama de ´pergunta malandra´ provocação de FHC sobre privatização

O presidente em exercício do PT e coordenador de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, classificou de ´pergunta malandra´ o questionamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre privatizações. De Lisboa, Fernando Henrique questionou por que Lula não reestatizou a Vale do Rio Doce já que é contra a privatização da empresa."É uma pergunta malandra. Não é o caso de rediscutir a privatização. O mau está feito. O mau não é exclusivamente ter sido privatizada. O mau está também na forma e nos resultados obscuros. Esse dinheiro arrecadado agravou a carga fiscal", disse Garcia, em entrevista coletiva nesta sexta-feira. O coordenador argumentou que a revisão de privatizações é um processo complexo, que teria impacto muito forte na economia brasileira e que o governo não deveria tomar essa iniciativa. Garcia afirmou que US$ 71 bilhões foram arrecadados pelo Estado com as privatizações, supostamente para resolver a questão fiscal. Mas que, no entanto, a questão não foi resolvida, e sim agravada. "É justo que se pergunte para que as privatizações serviram", afirmou Garcia acrescentando que, se elas foram feitas para o tema específico de combate ao déficit, não tiveram resultado. Corte de gastosGarcia afirmou ainda que haverá cortes de gastos num eventual segundo mandato de Lula. "É evidente. Nós vamos ter cortes de gastos, mas gradual", afirmou o coordenador. Mas ontem, em entrevista publicada no jornal O Globo, o presidente Lula afirmou que não era necessário ter cortes de gastos para haver maiores investimentos.O coordenador da campanha não foi específico quanto aos cortes de gastos que seriam feitos em um eventual governo petista. Ele disse que com a queda das taxas de juros haverá o aumento do crescimento econômico e de arrecadação. Ele criticou o governo anterior ao afirmar que nos oito anos antes do presidente Lula houve um inchaço provocado pela terceirização. Ele ressaltou que o Lula tem um projeto diferente do governo anterior que, segundo ele, propunha um estado mínimo e de mercado.Para Garcia, o economista Yoshiaki Nakano "falou alto o que eles estavam pensando baixo", ao defender a necessidade de cortes de gastos públicos de 3% do PIB. "A proposta de Nakano significaria cortar três anos de Bolsa Família", acrescentou.Funcionalismo públicoGarcia garantiu ainda que não deverá haver "pinotes" salariais para o funcionalismo público, em um eventual segundo mandato de Lula. Ele disse que houve um grande salto salarial neste governo, que não deve se repetir no futuro. Segundo ele, o salário do servidor público sofreu estagnação nos oito anos do governo do PSDB e que o presidente Lula fez uma recuperação importante, organizando as carreiras do funcionalismo. Na avaliação de Garcia, isso deixa a situação atual mais equilibrada. "Não precisaremos dar os pinotes que foram necessários para, entre outras coisas, atender às necessidades do nosso funcionalismo público", afirmou. "Os aumentos serão normais". Este texto foi alterado às 15h28 para inclusão de informação

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