Garcia confirma fiscalização mais dura sobre turistas espanhóis

Assessor da Presidência nega retaliação específica contra 7 espanhóis em Salvador e fala em 'reciprocidade'

Fabiana Cimieri, da Agência Estado,

08 de março de 2008 | 17h11

O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, confirmou nesta sábado, 8, que o Ministério da Justiça determinou à Polícia Federal que intensificasse a fiscalização sobre os espanhóis que chegam ao Brasil, depois que dezenas de brasileiros foram barrados pela imigração espanhola. "Mantivemos o mesmo critério (de avaliação dos turistas que desembarcam no País), mas intensificando um pouco mais a rotina. Um país tem de se fazer respeitar", afirmou.  VEJA TAMBÉM De cada 5 barrados em 2007 na Espanha, 2 eram brasileiros Para Lula, deportação de brasileiros é 'eleitoreira' Espanhóis são barrados no Aeroporto Internacional de Salvador   'Me sinto um animal abandonado', diz brasileiro retido em Madri  Saiba como agir se for barrado em aeroporto Brasil deve adotar medidas contra espanhóis?  Ele frisou que a medida não foi específica para os sete espanhóis que foram impedidos de entrar na Bahia na sexta-feira, 7, mas sim uma ordem generalizada, que deverá ser seguida por todos os oficiais responsáveis pela fiscalização de vôos da Espanha. Sobre o caso da Bahia, disse que nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem o ministro da Justiça, Tarso Genro, foram consultados pelos agentes que impediram a entrada dos turistas. Para Garcia, o endurecimento com os espanhóis não deve ser encarado como retaliação, mas sim pelo conceito de reciprocidade. "Se há determinadas exigências para os imigrantes ou turistas brasileiros lá (na Espanha), nós vamos cumprir, mas também queremos que os espanhóis cumpram aqui", explicou o assessor do presidente, após participar de almoço oferecido a Lula pelo presidente português Aníbal Cavaco da Silva, por ocasião das comemorações dos 200 anos da chegada da família real de Portugal ao Brasil. Na opinião de Garcia, os oficiais da imigração espanhola exageraram no rigor com que avaliaram alguns dos turistas brasileiros impedidos de entrar no país esta semana. "Eu acho que em alguns casos houve exagero, sem dúvida nenhuma. Mas é como se dizia: na ditadura não é perigoso apenas o ditador; mais perigoso às vezes é o guarda da esquina."  Ele frisou, porém, que trata-se de um problema localizado que deve ser resolvido sem maiores impactos na relação entre Brasil e Espanha. "Mantemos com a Espanha uma relação privilegiada. É um país com o qual mantemos relações estratégicas que tem que se traduzir não só em torno das grandes questões, mas nos mecanismos de contato mais triviais", comentou. Garcia afirmou ter informações de que a repercussão do caso nos últimos dias já vem provocando uma mudança de atitude da polícia com relação aos brasileiros que desembarcam no país.

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