Garcia, Wagner e Deda afirmam que oposição tenta desestabilizar eleição

O coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, e os governadores petistas recém-eleitos Jaques Wagner (BA) e Marcelo Deda (SE) disseram nesta segunda-feira, em entrevista coletiva, que a oposição tenta desestabilizar o processo eleitoral colocando as investigações da Polícia Federal sobre o caso do dossiê Vedoin sob suspeição. Na entrevista, o primeiro a falar foi Garcia, que disse que há uma tentativa "desesperada da oposição" de inviabilizar a eventual vitória de Lula. Segundo ele, a oposição deflagrou uma operação com base em reportagem da revista Veja desta semana, que aponta suposta interferência do governo nas investigações da Polícia Federal no episódio do dossiê. Garcia considerou que o uso político da reportagem, que afirma ser falsa, visa a desestabilizar o jogo democrático. "Não vamos aceitar este tipo de ofensiva", disse, informando que se reunirá na terça-feira com os presidentes dos partidos que apóiam a candidatura Lula para organizar uma reação à oposição. "Não será com factóides ou subterfúgios que vamos resolver as eleições. Não podemos colocar em xeque o processo democrático", afirmou.O coordenador da campanha petista afirmou ainda que vai tomar as providências judiciais cabíveis contra a revista Veja, pedindo direito de resposta e reparação por danos contra as sua imagem, já que ele é citado na reportagem. Mas ele enfatizou que o objetivo maior é "frustrar a ação daqueles que querem se valer dos meios de comunicação, através de factóides e informações fantasiosas, para desestabilizar o processo eleitoral. A vontade popular tem que ser respeitada", disse. "Não passará tentativa de se resolver eleição no tapetão", completou Garcia. Wagner afirmou estar "indignado" com o que chamou de tentativa de líderes de partidos da oposição tentarem colocar a PF sob suspeita em relação às investigações do dossiê Vedoin. "Acho estranho, depois de 3 anos e 10 meses de ação da PF, dizerem que uma estrutura de Estado estar a serviço de uma candidatura", disse. O petista baiano, ao defender a condução da PF no atual governo, disse que no passado a instituição foi objeto de interferências políticas. Ele citou especificamente o caso da chamada "Pasta Rosa", em que, segundo ele, o delegado que apurava o caso foi retirado das investigações pelo fato de elas envolverem políticos do então governo, formado pelo PSDB, coligado com PFL. Segundo Wagner, as suspeitas levantadas sobre a PF são indevidas. "Nossa posição como governadores eleitos é que tudo é legítimo na disputa eleitoral, mas não vale a pena jogar um clima de instabilidade nas instituições para inviabilizar uma eleição. Algumas lideranças da oposição estão no desespero, ameaçando as instituições brasileiras", disse.Ele disse ainda que os governadores aliados estão pensando na "estabilidade democrática e na governabilidade do País", após o segundo turno presidencial. "Vamos convocar os governadores para discutir governabilidade. É preciso sair deste jogo de escaramuças", completou.Pesquisite agudaO governador eleito de Sergipe, Marcelo Deda, afirmou que a oposição está na tentativa de reverter a desvantagem eleitoral de Geraldo Alckmin e "está mirando Lula e acertando a democracia brasileira". Segundo ele, "os oposicionistas estão atônitos" porque "esperavam uma onda Alckmin" que, segundo ele, não ocorreu porque Lula subiu nas pesquisas. "A oposição sofre de pesquisite aguda", ironizou Deda, definindo a suposta patologia como uma reação à eventual derrota apontada antecipadamente pelas pesquisas eleitorais.Deda afirmou que a oposição, nervosa com a desvantagem, tenta desmoralizar as instituições, como a Polícia Federal, com o objetivo de desmoralizar o resultado das urnas. "Nós queremos que a democracia cumpra o seu rito e o eleito nas urnas assuma o governo", afirmou Deda. Segundo ele, ao contrário dos oito anos do governo tucano, as instituições hoje estão funcionando perfeitamente.O governador citou casos em que, segundo ele, não houve apuração devida como os episódios dos bancos Marka e Fonte Cindam e da suposta compra de votos para a reeleição de FHC. Ele também lembrou que, na época, o Procurador Geral da República tinha o apelido de "engavetador geral da república". Segundo Deda, a oposição está criando um clima de instabilidade no País e, por isso, ele está recebendo ligações de vários governadores aliados, que manifestam preocupação com a situação. "Os governadores estão vendo o risco e o perigo de se brincar com coisa séria, que é o voto do povo nas urnas."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.