Garçom diz ter sido vítima de tortura

A Subcomissão contra a Tortura da Câmara Federal e a Corregedoria de Polícia Civil de Minas investigam um caso considerado grave de violência policial contra um homem, preso no dia 12 em Bom Jardim de Minas, na Zona da Mata. O garçom desempregado Alexandre de Oliveira, de 23 anos foi detido sob a acusação de ter abusado sexualmente da filha, de apenas um ano e meio. A denúncia foi avalizada pelo médico Edson Soares, do hospital local, que examinou a menina e apontou que ela havia sido vítima de penetração vaginal.Levado para a Delegacia de Polícia Civil, Oliveira disse que foi submetido a torturas para confessar um crime que não cometera. "Policiais civis e militares bateram nos meus pés com uma vareta e deram choques na minha nuca", disse. Para não apanhar mais, o garçom assinou uma confissão.Na semana seguinte, a filha de Oliveira foi atendida na Santa Casa de Misericórdia da vizinha cidade de Juiz de Fora, onde os médicos constataram que, na verdade, ela possuía um tumor na região genital, o que provocava sangramento e levou Soares a pensar em violência sexual.Oliveira foi transferido para a cadeia pública da cidade de Andrelândia (MG) e solto cinco dias depois, por intervenção da subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil. O caso chegou ao conhecimento de integrantes da Subcomissão contra Totura da Câmara e, hoje, o deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG) esteve em Juiz de Fora, onde ouviu o depoimento do garçom.Miranda informou que a caso será passado ao relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) contra a Totura, Nigel Rodley, e será pedida proteção para o garçom. Já o delegado-corregedor Sérgio de Freitas, que apura os supostos abusos dos policiais, disse que ainda não há elementos que comprovem que o garçom tenha sido vítima de tortura. Para ele, porém, é inegável que houve equívoco nas investigações obre o suposto estupro da criança.

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