Garçom inocentado diz que apanhou da polícia para confessar crime

O garçom Valdinei Sabino da Silva, de 25 anos, contou nesta quinta-feira, logo após ser libertado, que apanhou da polícia para confessar o assassinato do empresário José Nelson Schincariol, de 60 anos, ocorrido no último dia 18, em Itu. Ele disse ao irmão, Valdomiro Sabino da Silva, de 28 anos, que foi encapuzado e espancado após a prisão. Silva foi preso na noite seguinte, com base no reconhecimento de uma foto apresentada a uma testemunha. De acordo com o relato do irmão, após invadir sua casa e prendê-lo, os policiais o levaram a um matagal e o agrediram com tapas e coronhadas. Silva não viu para onde foi levado porque os policiais cobriram sua cabeça com um capuz. "Ele acha que foi na Estrada da Gruta ou no local chamado Campo de Santo Antonio, pois havia mata", contou Valdomiro. Durante a sessão de tortura, os policiais receberam uma comunicação pelo rádio pedindo que fosse apressado o "aperto", pois a mãe do acusado estava na delegacia. Só depois disso, e de ter negado insistentemente a participação no crime, o garçom foi levado para o 3º Distrito Policial e advertido para que não "abrisse o bico".Silva foi solto às 14 horas de hoje, 16 dias após a prisão, acusado de um crime que não cometeu. O alvará de soltura foi assinado pelo juiz corregedor José Fernando Azevedo Minhoto, o mesmo que decretara a prisão. Ele foi levado da cadeia pública para sua casa, no Jardim São Judas Tadeu, periferia da cidade, por uma viatura do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic) de São Paulo. Ao entrar no veículo, agradeceu o delegado Carlos Eduardo de Carvalho e os policiais Deic, mas não deu entrevista. "Ele está feliz, quer esquecer o que passou e curtir a liberdade", disse o irmão. Ele confirmou que a família pretende processar o Estado para exigir indenização. Os amigos disseram que o rapaz pretende trocar uma entrevista sobre o que passou na prisão pelo pagamento do advogado que cuidará o processo.O juiz Minhoto decretou a prisão temporária por 30 dias do traficante luís Francisco Candiani, de 23 anos, Fábio Luis Siqueira, de 25, André Ricardo Claudino, de 23, e Rodrigo Antonio Raimundo Sbrissa, de 23, acusados de envolvimento no assassinato de Schincariol. Eles já estão detidos deste terça-feira.

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