Garota refém por mais de 6 horas é libertada em Salvador

Armado com uma garrafa vazia de vinho e uma imitação de espingarda feita em casa, Ivanilson Souza dos Santos, de 24 anos, manteve como refém a estudante Talita Farias de Freitas, de 20 anos, por mais de oito horas, nesta quarta-feira, 7, em Salvador (BA). Os dois ficaram trancados em um banheiro da Clínica Ser, localizada no bairro de Amaralina, até que Santos resolveu se render, às 21h45.Segundo testemunhas, Talita aguardava ser chamada para realizar exames laboratoriais na sala de espera do local, por volta das 13h30, quando Santos entrou na clínica e a rendeu, levando-a para um banheiro localizado no primeiro andar da construção. Os funcionários, então, chamaram a polícia.Dezenas de policiais civis e militares chegaram ao local e iniciaram uma longa negociação com o rapaz. Mantendo contato por telefone celular, sem saber que tipo de arma ele portava e sem conseguir tirar de Santos as reivindicações que tinha, os agentes decidiram não invadir o local, mas tentar vencê-lo pelo cansaço.Santos, que já havia sido detido em junho do ano passado, acusado de levar uma falsa bomba para o Aeroporto Internacional de Salvador, então, começou a dizer que queria fazer o retrato-falado de um policial militar que o teria agredido. Depois, passou a exigir tratamento para uma sobrinha que estaria sofrendo de leucemia.Do lado de fora da clínica, centenas de pessoas reuniram-se para acompanhar as negociações. O momento de maior tensão foi quando o seqüestrador exigiu que uma ambulância fosse ao local. Temia-se que a refém tivesse sido ferida. O veículo chegou por volta das 19 horas, mas não houve rendição.Cerca de 20 minutos antes do fim do seqüestro, a refém passou um bilhete por baixo da porta, avisando à família - no local desde o início das negociações - que estava bem e que Santos se entregaria, o que ocorreu em seguida.Visivelmente perturbado e vestindo a camisa da Inter de Milão - eliminada na terça-feira da Copa dos Campeões da Europa -, o seqüestrador repetiu, na saída do local, as reivindicações feitas ao longo das negociações. Segundo o capitão Antonio Magalhães, do Batalhão de Choque, ele foi levado à Corregedoria da Polícia Civil, onde prestaria depoimento antes de ser preso. "O que ele queria, mesmo, era chamar a atenção", afirma o tenente-coronel Manoel Bastos, que também participou das negociações.Abalada e exausta, Talita foi atendida por médicos na própria clínica, antes de ser liberada. Por volta das 22h20 e amparada pela família, ela apareceu na porta da clínica, com uma camisa sobre a cabeça. A multidão que se formou na frente do local vibrou. Ela passaria a noite em observação, em um hospital não divulgado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.