Garota seqüestrada foi libertada porque ´dava trabalho´

A menina Alice Dalla Torre, de 7 anos, escapou por pouco de morrer por demora na troca de sua bolsa de colostomia. Alice, que tem problemas no intestino e usa a bolsa diariamente, passou quatro dias seqüestrada e só foi liberada pelos bandidos às 19 horas desta segunda-feira, exatamente no dia em que a bolsa teria de ser trocada.Aflito, o microempresário do setor de transportes Vilson Edival da Silva, pai de Alice, temia não encontrar mais a filha viva. Os seqüestradores presos, Francisco Roberto de Souza, de 47 anos, e Carlos Oliveira, de 24, revelaram à polícia que a menina foi liberada porque estava "dando trabalho."Ela não tomou nenhum medicamento nos dias em que esteve no cativeiro. Libertada pelos bandidos a duas quadras de sua casa, a menina, que tem dificuldades de locomoção, se arrastou até ser encontrada por um vizinho, que avisou a polícia. Alice e sua mãe, Maria Aparecida Dalla Torre, de 34 anos, foram seqüestradas na quinta-feira, próximo à casa delas, no Jardim do Encontro, zona sul de São Paulo.Os bandidos as levaram para o cativeiro, na casa de Souza, onde também funciona um bar, na Rua dos Apóstolos, Jardim Canaã, em São Bernardo do Campo, Grande ABC. Além dos dois presos, pelo menos outras quatro pessoas participaram do seqüestro e estão sendo procuradas pela polícia.Um dos bandidos estaria em um Escort prata e outros dois dariam cobertura na rua.A mulher de Souza, grávida de nove meses, havia viajado, e o marido transfomou a residência em cativeiro. Depois do seqüestro, os bandidos, que integrariam a quadrilha de André Loucura, morto pela polícia há 15 dias, começaram a exigir dinheiro da família. Inicialmente, pediram R$ 500 mil de resgate, valor que foi diminuindo, mas não chegou a ser pago.A polícia não revelou a quantia final pedida nem a forma como o cativeiro foi descoberto. Souza seria o 15º membro da quadrilha de Loucura, que agia na divisa entre São Paulo e o ABC. O delegado Marcos Flório Macarani, da Divisão Anti-Seqüestro (DAS), e um grupo de policiais invadiram o cativeiro à 1 hora desta segunda-feira, prenderam os dois bandidos e apreenderam documentos de carro, seis telefones celulares e munição para revólver, pistola e fuzil.Souza tinha passagem por porte ilegal de arma, mas Oliveira não tinha registro anterior de crimes. Maria Aparecida estava na parte inferior do sobrado de Souza. Ela e a filha não sofreram agressões físicas. Segundo o delegado Wagner Giúdice, diretor da DAS, a libertação da menina era ponto de honra para os policiais que participaram da investigação. "É desumano manter uma criança dessa idade, ainda mais com problemas de saúde, presa", afirmou.

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