Garotas que estavam sumidas são localizadas no Sul do País

Ana Lívia e Giovanna estavam em Curitibanos (SC) e foram levadas para o Conselho Tutelar

Rodrigo Pereira, Rodrigo Brancatelli, Laura Diniz e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

12 de junho de 2008 | 00h00

Terminou ontem à noite, em um hotel de Curitibanos, interior de Santa Catarina, a aventura das estudantes paulistanas Ana Lívia Destefani Luciano, de 16 anos, e Giovanna Maresti Sant?Anna Silva, de 15. Elas estavam desaparecidas desde quinta-feira à noite, quando Giovanna ligou de seu celular para a avó dizendo que dormiria na casa da amiga. Com a divulgação da história na mídia, o dono do hotel onde as meninas pretendiam se hospedar as reconheceu e chamou a polícia. Elas foram levadas para o Conselho Tutelar da cidade, confirmaram suas identidades e entraram em contato com suas famílias."Está tudo bem com elas, ainda bem que foi a hipótese mais inocente. Acharam que ninguém ia se importar ou ir atrás e tentaram fugir para a Argentina", disse o irmão de Ana Lívia, Gabriel Dib. Por telefone, as meninas disseram que passaram por diversas cidades, pegando caronas - mas não detalharam o itinerário. A mãe de Ana Lívia, Maria Valéria Destefani, ficou sabendo da notícia por volta das 20h45, depois de uma ligação de policiais da cidade de Curitibanos. "Só me falaram que elas estão bem e que vão permanecer no Conselho Tutelar até decidirmos como será a volta", diz. "Fiquei sabendo que o dono do hotel em Curitibanos reconheceu as duas e ligou para a delegacia. Me contaram também que elas foram roubadas durante a viagem. Só isso. Devemos mandar agora as passagens aéreas, para elas voltarem logo, porque demora muito para a gente ir de carro até lá. Mas, graças a Deus, estão bem."Já rindo ao telefone e nitidamente aliviada, Maria Valéria ainda pensa em teorias para explicar a viagem da filha de 16 anos. "Vamos conversar bastante quando ela chegar, bastante mesmo", conta. "Acho que ela fugiu porque achava o colégio muito opressivo, queria mudar de lá. Também acho que ela foi incentivada para fugir, não tem outra explicação. Acho que essa história deu muito pano para manga para ser discutido, muito assunto em pauta. Os pais não sabem o que os filhos pensam, não existe comunicação dentro da família, até que acontece algo como isso. Não vou colocá-la de castigo, isso não. Mas vamos ter de conversar."Em e-mail enviado a amigos no final da noite de ontem, ao qual o Estado teve acesso, os pais de Giovanna, Kelly di Bertolli e Sérgio Audi, disseram que foram "privilegiados por esta exposição do caso" e lamentaram a "dura realidade de milhares de pessoas desaparecidas" que viram "nos rostos destas pessoas anônimas que encontramos na delegacia de desaparecidos e que não tiveram a mesma exposição".APREENSÃOÀ tarde, o chefe da Delegacia de Desaparecidos do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, Francisco de Assis Magano, havia dito que não descartava nenhuma hipótese, mas que, "pela experiência" e informações coletadas , tratava-se da antecipação de uma viagem. "A fuga estava programada para as férias, e elas anteciparam", disse, acrescentando ser o episódio "uma bravata", "uma aventura de adolescentes" e "um ato tresloucado".Mesmo sem as ter encontrado, o delegado também rechaçava a hipótese de aliciamento. "Foge muito do perfil delas: estudam em bom colégio, têm boa educação, bom nível intelectual, têm posses. Foi um ato tresloucado de fugir, não foram forçadas a nada." Mas ele ressaltou que esse é um "tipo de aventura que às vezes acaba em tragédia" e adiantou que, assim que fossem encontradas, levantaria o percurso feito e pessoas com quem elas tiveram contato "para ver se no caminho houve algum percalço que possa ter causado algum trauma".O delegado e a investigadora Mara Silvia Moscatelli disseram que as duas venderam aparelhos eletrônicos de Giovanna, dias antes, para financiar a viagem, e que a garota tinha um documento adulterado, no qual aparecia com 18 anos. Os policiais acrescentaram que as duas reclamavam da escola. Giovanna, que entrou neste ano, estava com problemas de adaptação; e Ana Lívia queria transferência para um colégio público.À tarde, a mãe de Ana Lívia, Maria Valéria Destefani, recebeu ligações do Rio Grande do Sul de duas pessoas que teriam dado carona e dinheiro para as garotas. Também vieram informações de que o paradeiro das adolescentes ainda era São Paulo. O pai de Ana Lívia, o professor de Matemática da USP Odilon dos Santos disse que o Colégio Equipe recebeu ligação de uma funcionária do Hotel Clarion Jardim Europa, que afirmava ter conversado com as meninas no cruzamento entre as Avenidas Brigadeiro Faria Lima e Cidade Jardim. "Ela disse que ?a menina de olhos azuis?, a Ana Lívia, tossia muito e pediu uma informação."

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