Garotinho admite erro da polícia em morte de preso

O secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, admitiu hoje que a polícia errou no caso do estudante Rômulo Batista de Melo, de 21 anos, que morreu de traumatismo craniano e hemorragia craniana depois de passar seis dias preso numa delegacia de Cabo Frio. Policiais alegam que o rapaz se autolesionou, batendo a cabeça contra as grades da cela, ao sofrer sucessivas crises nervosas. O pai do estudante, o aposentado Heliomar Batista de Melo, de 53 anos, vai processar o Estado."A história dos policiais não me convenceu. Houve, no mínimo, um erro da polícia. Se ele apresentava todos esses sintomas de distúrbio mental, ele tinha de ter sido transferido para um hospital psiquiátrico", afirmou Garotinho durante o programa semanal de rádio da governadora Rosinha Garotinho. O secretário disse ainda que a polícia tem de "agir duro", mas não pode "ultrapassar os limites da lei". Ontem, ele afastou os policiais que estavam de plantão, e designou o secretário estadual de Direitos Humanos, coronel Jorge da Silva, para apurar o caso.De acordo com o delegado afastado José Mário Omena, Rômulo foi preso por roubo de carro e por ter se envolvido num acidente de carro, em que uma pessoa saiu ferida. Ele teria resistido à prisão e demonstrado desequilíbrio mental, segundo Omena. Na madrugada do dia 27, Rômulo teria se jogado contra as grades da cela. Na manhã daquele dia, ele estava sendo transferido para um hospital psiquiátrico, quando, de acordo com a polícia, sofreu nova crise nervosa e foi levado para um pronto-socorro na cidade de Maricá. Morreu duas horas depois. Médicos legistas atestaram que o rapaz teve perda de massa encefálica."Meu filho não roubou o carro. Ele estava dirigindo o carro de um amigo, com quem passava férias. Mas mesmo que ele fosse um assassino não mereceria esse tratamento. Mandei fotografar o corpo do meu filho no IML. Ele teve achatamento de crânio. Ninguém se machucaria dessa forma", disse Melo. "O governo tem que ser responsabilizado porque ele estava sob custódia do Estado". O pai do rapaz negou que Rômulo sofresse de distúrbios mentais. "Ele estava entrando no último ano de Fisioterapia, ia abrir uma clínica com um colega. Se ele tivesse distúrbios não estaria nessa carreira", alega. Para Melo, se o filho apresentou comportamento estranho é porque estava sendo pressionado pelos policiais. "Um garoto de 21 anos que passou seis dias sendo espancado e torturado não pode ter um comportamento normal", afirmou. O chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, garantiu que a morte de Rômulo será esclarecida em, no máximo, uma semana.

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