Garotinho ameaça autoridades de áreas mais violentas

Depois de fazer uma ronda surpresa por vários bairros do subúrbio carioca e dar nota oito ao policiamento, o secretário de Segurança Pública Anthony Garotinho anunciou hoje que delegados e comandantes da Polícia Militar de regiões onde houver aumento da criminalidade serão afastados de suas funções. O secretário também voltou a estimular a rivalidade entre Rio e São Paulo. Primeiro, comparou a agilidade de Justiça: "Enquanto um processo leva dois anos e meio para ser distribuído em São Paulo, no Rio leva dois dias." Em seguida, citou vários casos de violência contra autoridades ou seus parentes ocorridos recentemente em São Paulo: "Se tudo isso tivesse acontecido aqui no Rio, ai meu Deus!" Garotinho aprovou o patrulhamento feito pelos novos carros da polícia, entregues anteontem pela governadora Rosinha Matheus. Na visita não agendada à 44ª Delegacia de Polícia, porém, o secretário não encontrou o delegado. A delegacia fica em Inhaúma, onde ontem de manhã foi assassinado um capitão-médico do Exército, com pelo menos quatro tiros.Garotinho percorreu as principais avenidas da Zona Norte entre 20h30 de sexta-feira e 1h30 da madrugada deste sábado. Esta foi a segunda ronda feita pelo secretário.Participação da populaçãoConvidado do programa de rádio semanal "Bom dia, governadora", Garotinho disse que os Conselhos Comunitários de Segurança Pública, que reúnem em cada bairro e município do interior o delegado titular, o comandante da Polícia Militar, juiz, promotor e associações comerciais e de moradores, passarão a receber mensalmente uma tabela com o número de ocorrência de cada um dos principais crimes. "Temos uma regrinha: toda vez que a criminalidade no bairro sobe, o delegado e o comandante caem, perdem a posição. Os moradores do bairro vão informar ao delegado e ao comandante que estão de olho neles", disse o secretário no programa comandado pela governadora Rosinha. O ex-governador e atual secretário disse que há uma supervalorização dos episódios de violência que acontecem no Rio e está em curso "uma campanha para tirar turistas e emprego do Rio de Janeiro". Durante entrevista ao vivo com o chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, Garotinho cobrou o esclarecimento do caso na Universidade Estácio de Sá, onde foi disparado um tiro que deixou paraplégica a aluna Luciana Novaes.

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