Garotinho diz que acusação de coronel da PM tem motivação política

O secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, quebrou nesta quinta-feira o silêncio em relação à denúnciacontra o secretário de Esportes, Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, e disse que o tenente-coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, que o acusou de conivência como tráfico de drogas, agiu por motivação política.Garotinho defendeu Chiquinho e sugeriu que o oficial foi influenciado pelo deputado estadual Paulo Ramos (PDT), que é seu adversário. ?O coronel foi presidente do Clube de Oficiais (da PM)?, disse Garotinho, sem citar o nome de Ramos ? que foi presidente do clube em 1983 e 1984 e hoje é do ConselhoDeliberativo ?, mas insinuando que ele seria ligado a Costa Filho.Ramos, que é major da reserva e tem 22 anos de PM, estava na solenidade de transmissão de cargo, na última terça-feira, em que Costa Filho reclamou por ter sido substituído, a seu ver, por?pressões políticas?. O oficial foi tirado do comando do 4º Batalhão da PM por ordem de Garotinho.Nesta quinta-feira, o deputado criticou o secretário de Segurança: ?Ele está querendo arrumar alguém para desviar a atenção. Já requeri a presença dele na Assembléia Legislativapara explicar por que houve a troca nos comandos dos batalhões.? Ramos disse que conhece o oficial por ser antigo na corporação, mas não tem intimidade com ele. Disse ainda que, por causa do cargo eletivo, não tem freqüentado as reuniões do Clube dos Oficiais justamente para que ninguém pense que ele está ?influindo partidariamente? nas decisões.Ele não tem dúvidas de que Costa Filho deixou o comando do batalhão porque Chiquinho pediu. ?O comandante não se conformou com as exigências de Chiquinho e saiu por pressão dele.? O caso veio à tona somente na terça-feira, mas, trêsmeses antes, ele havia comunicado a seus superiores que Chiquinho, que tem projetos sociais na Mangueira, solicitara que a PM desse uma ?trégua? para os traficantes da favela porque eles não estavam ?vendendo nada? por conta da repressão policial.O secretário de Esportes, por sua vez, tem outra versão: afirma que só pediu que as operações policiais não fossem realizadas nos horários de entrada e saída de jovens da escola. Garotinho disse que o tenente-coronel não foi exonerado por ter feito a denúncia. A troca de comandantes, informou, é rotina dentro da polícia e não deve ser politizada. Ele acrescentou que quem sugeriu a saída de Costa Filho foi o comandante-geral da PM,coronel Renato Hottz.Hottz, segundo Garotinho, alegou que o oficial não tinha perfil operacional ? informação já contestada pelo ex-secretário de Segurança e hoje deputado federal Josias Quintal(PSB), segundo o qual o tenente-coronel era sim um ?homem de operação? e, por isso, foi mantido no cargo depois de ter encaminhado o comunicado contrário a Chiquinho, mesmo sem provas.Garotinho escolheu o chefe de gabinete da Polícia Civil, delegado Paulo Passos, para conduzir o inquérito sobre as denúncias do ex-comandante do 4º batalhão. Passos disse que, se o tenente-coronel conseguir provar o que disse, Chiquinho poderá responder por associação para o tráfico de drogas e ficar preso por até 10 anos. O coronel pode ser indiciado por denunciação caluniosa (detenção de 2 a 8 anos). O delegado garantiu que não vai se dobrar a qualquer pedido de cunho político. ?Não é a primeira vez que me colocam num casso desse. Ninguém me pediu nada.?Garotinho informou que o inquérito não foi aberto quando o coronel fez a acusação porque Josias Quintal, a quem o caso foi levado, considerou que a denúncia não tinha consistência. ?Ocoronel Josias pediu prova material, e ele não tinha, então era a palavra dele contra a do secretário.? Além do inquérito, o oficial responde ainda a uma investigação interna da PM. O ex-comandante tem de explicar por que transgrediu as normas da corporação em sua fala de despedida ? ele desrespeitou o cerimonial.Nesta quinta-feira de manhã, Costa Filho foi ao Quartel-General da PM para prestar esclarecimentos ao Serviço Reservado da PM, mas saiu sem dar entrevistas. O deputado Carlos Minc (PT) se encontrou com o Procurador-Geral de Justiça, AntônioVicente da Costa Junior, e entrou com representação no MP para que a suposta conivência de Chiquinho com traficantes seja apurada. Ele quer saber também por que o governo não abriu inquérito há três meses e ainda qual foi o motivo da exoneração do oficial.

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