Garotinho e Rosinha falam de perseguição política

Mantendo o silêncio em relação aos planos das Forças Armadas para combater a criminalidade no Rio a partir de amanhã, a governadora Rosinha Matheus e o secretário de Segurança Pública Anthony Garotinho voltaram a politizar a cooperação entre os governos federal e estadual na área da segurança em seus programas de rádio. Na abertura de seu programa "Encontro Marcado com Garotinho", ontem, o secretário fez um longo editoral em que se diz "crucificado" por adversários políticos e pela imprensa. Sem falar diretamente sobre as tropas do Exército, disse que a polícia do Rio está preparada para combater sozinha os criminosos, mas que há interesse político em culpá-lo pela violência."Querem me crucificar porque todos apoiaram Lula e estão vendo o fracasso do seu governo. Eles pensam que o Garotinho não pode ser visto como bom. Se ele der certo, será o próximo presidente da República", disse o secretário, que apoiou a campanha do presidente no segundo turno das eleições de 2002. Garotinho pediu que o julgamento de seu primeiro ano como secretário seja julgado no fim deste mês com a demonstração de que os principais índices de criminalidade caíram. "Eu não precisava ser secretário, fiz isso porque amo o povo", disse. Em tom de mágoa, o evangélico Garotinho pediu aos ouvintes que orem por ele "para suportar tanta maldade e injustiça". Em conversa com a governadora Rosinha Matheus no programa dela, "Bom Dia, Governadora", Garotinho lembrou apreensões recentes feitas pela polícia de armamento de guerra e lembrou que o controle do tráfico de armas é de responsabilidade do Governo Federal. Rosinha também não falou sobre a chegada do Exército às ruas, mas mudou o tom das últimas semanas, em que se dizia otimista em relação às conversas que manteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, respondendo críticas atribuídas ao Partido dos Trabalhadores. "Eu não joguei a população contra o presidente. O PT não gosta do Rio", afirmou. Falando sobre a visita do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, ao Rio na semana passada, a governadora disse que os programas Bolsa-Família e de farmácias e restaurantes populares planejados pelo governo federal são cópias de programas implantados no Rio por Garotinho. "O PT nos chama de populistas, mas copia nossos programas. Enquanto eles falam, nós trabalhamos", disse a governadora.

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