Garotinho manda punir cambistas do bandejão

A venda ilegal de senhas para garantir lugar na fila do Restaurante Popular Betinho, onde três mil refeições são servidas diriamente ao preço de R$ 1, levou o secretário estadual de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, até a Central do Brasil, no centro, onde fica o bandejão. De acordo com denúncias, há um mês, 15 pessoas têm vendido as senhas por R$ 2, triplicando o custo da refeição. O governador Anthony Garotinho (PSB) ordenou a prisão dos cambistas e, a partir de hoje, as senhas não serão mais distribuídas. Há gente que chega ao local de madrugada. As distribuição de 600 senhas começava quando a refeição número 2.400 era servida. Agora, um funcionário fará a contagem das pessoas e impedirá que mais gente entre na fila. "A senha passou a ser uma moeda. Mas com certeza só aconteceu uma vez", garantiu o subsecretário estadual de Ação Social e Cidadania, Ricardo Bittar. Além dessa medida, o policiamento será reforçado na área.Em seu segundo dia como cliente do restaurante popular, o camelô Manoel dos Santos, de 52 anos, foi preparado para encarar a fila. Pelos seus cálculos, o tempo de espera é de uma hora. Sentado em sua cadeira de praia, ele se distraía com um livro e um rádio. "Ontem, eu me cansei. Mas é a única opção, lá fora a gente paga até pra beber água", argumentou. O camelô disse não saber nada sobre a ação de cambistas. "Nunca vi nada disso". Acomodada em uma das cadeiras que são colocadas à disposição das pessoas acima de 65 anos, que têm direito a uma fila especial e entram no restaurante uma hora antes dos demais, assim como as gestantes e deficientes, a aposentada Diva da Silva, de 75 anos, também disse ignorar a ilegalidade. "Já vim diversas vezes e nunca vi. Tô doida pra chegar a minha vez, é ruim de eu dar o lugar pra alguém", disse, em tom de brincadeira. O motorista de ônibus Luís Ferreira de Brito, de 49, afirmou que costuma almoçar no local praticamente todos os dias. Assim como os outros, ele nunca foi vítima dos cambistas. Brito considera razoável a espera de cerca de uma hora por uma refeição completa. "Ainda mais com esse preço. Com R$ 5 dá pra almoçar a semana inteira". Responsável pelo controle da fila, o segurança Carlos Antônio, afirma que a situação denunciada pela imprensa foi um caso isolado. "Quando isso acontece, a gente identifica as pessoas e retira da fila", afirmou.

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