Garotinho no centro da polêmica sobre os filhos de Staheli

O secretário de Segurança Pública do Rio, Anthony Garotinho, disse hoje que jamais acusou os filhos do casal norte-americano Todd e Michelle Staheli de envolvimento no assassinato dos pais. Ele voltou a defender a participação das duas crianças mais velhas na reconstituição do crime, marcada para as 8 horas de hoje, na casa da família. Para Garotinho, a presença delas é fundamental para a elucidação do caso.?Em nenhum momento nós acusamos ninguém. Nem eu, nem os policiais que estão tratando do caso. A polícia tem pedido apenas que as únicas pessoas que estavam onde o crime ocorreu participem da reconstituição?, afirmou. ?Nós entendemos a dor e o problema psicológico que eles estão atravessando, mas eles são os únicos que podem acrescentar algo novo.? Garotinho deu as declarações hoje de manhã, antes da entrevista dada pelo advogado da família, João Mestieri. Desde o início das investigações, o secretário vem insinuando que alguém de dentro da casa dos Staheli participou do crime, ao descartar a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), por falta de sinais de arrombamento na casa e pelo fato de a empregada ter dito que nada foi roubado. Dois dias depois do ataque a Todd e Michelle, Garotinho declarou que ?o criminoso conhecia em detalhes a própria (sic) casa?, indicando que os filhos estariam envolvidos, já que somente eles, além dos pais, estavam na casa.Garotinho apontou ainda contradição entre dois depoimentos prestados por W., de 13, a filha mais velha, num intervalo de dois dias. ?Eu perguntei se ela tinha namorado nos Estados Unidos e ela disse que não. Mas parece que nas cartas há alguma coisa em sentido contrário?, disse ele, na quarta-feira passada.O juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude, Siro Darlan, considera que W. está sendo tratada como uma criminosa. ?É um absurdo o que estão fazendo a essas crianças, um constrangimento. Se houvesse uma suspeita, as informações deveriam ter sido mantidas em sigilo, a fim de preservar a imagem delas.? Ele explicou que, estando no Brasil, qualquer menor, mesmo estrangeiro, é protegido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. O juiz acredita que os filhos não deveriam estar na reconstituição da morte dos pais.Já o juiz Guaraci Viana, da 2ª Vara, que, atendendo a um pedido do Ministério Público, determinou a permanência de W. no País até o fim das investigações, através de medida cautelar, acha que não se criou um clima de suspeita em torno de W., nem houve constrangimento para ela, apesar de a polícia trabalhar com a hipótese de a menina estar envolvida. ?O inquérito ainda não foi concluído, então não podemos excluir nenhuma possibilidade?, disse, lembrando que, em São Paulo, a jovem Suzane von Richtofen, de 19 anos, planejou o assassinato dos pais.Viana defendeu a participação de W. na reprodução. ?Ela não é obrigada a participar, mas recomenda-se que vá. O interesse na elucidação do crime tem que ser primeiro da família, dos filhos.? O advogado das crianças, João Mestieri, voltou a afirmar que as crianças não vão à reconstituição ? que considera improdutiva. Ele disse que entraria em contato com a Secretaria de Segurança para conversar sobre o assunto. No fim da tarde, o subsecretário, Marcelo Itagiba, disse que o advogado havia procurado o órgão. ?Em hipótese alguma se admitirá uma reconstituição do que não ocorreu, botar um machado na mão da menina. Nem um facínora, réu confesso, está obrigado a participar de reconstituição. É preciso preservar a integridade dessas crianças, que são vítimas, tiveram os pais trucidados.? Mestieri disse que as crianças já deram sua contribuição para a investigação ao prestar depoimento aos agentes do FBI enviados ao Rio para acompanhar o inquérito, Daniel Clegg e Rick Cavalieros. ?Acredito que não exista mais nada a fazer a não ser enterrar os seus pais?, disse o advogado. Os agentes produziram um relatório com os relatos colhidos, que será entregue aos investigadores brasileiros. Segundo Garotinho, o documento não contém novidades.Para ler mais sobre o crime na Barra da Tijuca: » Advogado dos Stahelis sugere que criminoso é estrangeiro » Caso Staheli: especialistas estranham demora da polícia » Polícia do Rio vai refazer perícia na casa dos Staheli » Parentes querem adiar reconstituição do crime dos Staheli » FBI manda investigadores para acompanhar casa Stahelli » Corpo de Michelle Staheli já foi encaminhado para necropsia » Polícia ainda não solicitou sangue de mulher de executivo » Morre Michelle Staheli, a mulher do executivo » Filhos do casal terão que prestar depoimento » Depoimento da filha mais velha tem contradições, diz secretário » Morte cerebral de Michelle Staheli é ?questão de tempo? » Situação de Michelle Staheli é ?extrema?, diz boletim » Polícia quer impedir que filha de executivo deixe o País » Mercado não acredita em ameaças ao executivo americano » Estado da mulher do executivo choca os parentes » Parentes do casal americano chegam ao Rio » Empresário americano podia estar sendo ameaçado

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