Garotinho quer "banda podre"na limpeza das pichações

Depois de os policiais militares terem iniciado a polêmica tarefa de limpar pichações deixadas por traficantes em casas e muros de favelas, o governador Anthony Garotinho(PSB) defendeu que o serviço fique a cargo dos policiais que respondem a processos - a chamada ?banda podre?. Garotinho disse que levará a proposta ao secretário de Segurança Pública do RJ, Josias Quintal."A Justiça ordenou que os policiais da banda podre fossem reintegrados à corporação, o que é contra a nossa vontade. Seria muito interessante que eles, então, ficassem limpando os muros", afirmou o governador, referindo-se a uma decisão judicial que suspende o afastamento dos policiais processados. "Já que esses maus policiais sujaram a imagem da polícia, eles deveriam trabalhar na limpeza das pichações".A sugestão do governador desagradou a direção da Associação de Cabos e Soldados da PM. "É uma ação que cria constrangimento para o policial que está na rua. Vamos pedir uma audiência ao secretário de Segurança e tentar convencê-lo a parar com essa prática", afirmou o presidente da associação, Vanderlei Ribeiro. Ele disse que a entidade ainda não pretende entrar com uma ação contra a medida. "Acho que podemos resolver conversando", afirmou.Ao propor a limpeza dos muros como atividade punitiva, Anthony Garotinho acabou perdendo um dos raros apoios que a determinação do secretário Josias Quintal havia angariado: o do deputado Sivuca (PPB), conhecido por defender a pena de morte. "Atribuir caráter punitivo é temerário. Ele não pode individualizar. Qualquer um que for coagido a exercer função que não é a sua pode até entrar na Justiça porque vai ganhar", afirmou o deputado.Sivuca defende a eliminação dos símbolos do tráfico como um dever de toda a corporação; aí então trabalho seria válido. "A população não quer que o traficante deixe a marca na casa dela. E a Polícia Militar tem de manter essa população segura. Além do mais, traficante é bandido. E bandido bom é bandido morto. É isso que a PM devia escrever no lugar de cada pichação apagada", afirmou.O sociólogo Ignácio Cano criticou a "valorização dos símbolos" e considerou a decisão um "erro estratégico". "Nesse clima pré-eleitoral, estão valorizando o que é secundário. Os símbolos ficaram mais importante do que os próprios fatos", afirmou.Para o pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a decisão de Quintal parece "jogo de provocação". "Ou vão deslocar policiais para ficar de guarda nas paredes já limpas, ou o tráfico vai pichar por cima assim que a PM terminar o trabalho", afirmou.

Agencia Estado,

15 de janeiro de 2002 | 18h42

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