Garoto de 11 anos embarca sozinho e sem documentos em avião

Menino fugiu de casa e viajou de Cuiabá a Guarulhos; família já foi acionada pelo conselho tutelar

Nelson Francisco, especial para o Estadão,

06 de novembro de 2007 | 16h01

A Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos das Crianças de Cuiabá abriu nesta terça-feira, 6, inquérito para apurar as faltas na segurança dos aeroportos Marechal Rondon, em Mato Grosso, e de Guarulhos (SP), além da companhia aérea Gol.   Sem nenhum documento ou dinheiro, o menor V.S.S, de 11 anos, conseguiu embarcar, dia 18 de outubro, às 20 horas, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, com destino a São Paulo. Ele se misturou aos passageiros no portão de embarque, embarcou no avião, e se acomodou na poltrona da companhia área, sem o bilhete ou cartão de embarque.   Duas horas depois, o menor já estava em Guarulhos quando foi localizado, andando sozinho, pelo sistema de segurança do aeroporto. "Isso demonstra a fragilidade do sistema de transporte aéreo. Poderia ser um terrorista, por exemplo. A falta de segurança é muito maior do que a gente pensa", criticou o delegado Márcio Cambahúba.   Antes, porém, o garoto que mora no bairro Tancredo Neves, periferia de Cuiabá, havia viajado em dois ônibus sem pagar passagem para chegar ao aeroporto, percorrendo cerca de 20 quilômetros.   A aventura de V.S.S começou porque ele teria brigado com um vizinho da sua idade. Pediu aos pais, o soldado da Polícia Militar, Valmirson dos Santos Almeida e a dona de casa Flaviana Cacilda, para mudar de bairro. Diante da recusa, apenas com a roupa do corpo se dirigiu ao aeroporto em Várzea Grande.   No dia seguinte, os pais registraram queixa na delegacia da Criança, em Cuiabá. Por sua vez, o conselho tutelar em São Paulo já sabia que havia uma criança desaparecida. A comunicação entre os conselhos dos dois Estados levou cinco dias. "Essa falha na informatização de um banco de dados dos conselhos tutelares entre os Estados é inadmissível", disse o delegado que irá sugerir a condenação dos responsáveis com base no artigo 132 do Código Penal, por expor a vida ou saúde do menor em perigo.   Segundo o delegado, a PM de Mato Grosso pagou a passagem aérea para o pai do menor buscá-lo em São Paulo. O retorno foi de ônibus. "Na ida, o menor gastou duas horas. Na volta, foi um dia de viagem para ele ter a noção da distância", comentou o delegado. "Já prometi para o meu pai que não vou mais fazer isso", disse o garoto à TV Globo.   Procurados pelo Estado, a Gol e a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) informaram que não tinham conhecimento do caso. E vão apurar as responsabilidades.   Matéria ampliada às 18h11

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