Garoto de 3 anos cai do 4º andar e sobrevive

Polícia suspeita que mãe trancou menino em cômodo antes da queda

Andressa Zanandrea e Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

16 de fevereiro de 2008 | 00h00

Após passar quase 24 horas inconsciente, o menino de 3 anos que caiu anteontem à tarde do 4º andar do prédio de classe média onde mora no Brás, centro de São Paulo, abriu os olhos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Modelo, na Liberdade, e chamou pela mãe. A criança fraturou a clavícula e teve traumatismo craniano. Não há previsão de alta. Ele reclamou de dor no corpo."Graças a Deus, a cada minuto que passa, ele tem uma melhora", diz a tia do menino, que considerou a queda uma "fatalidade". Segundo informações iniciais da Polícia Civil e do pai da criança, que é separado da mãe, o garoto foi trancado em um dos quartos, de castigo e tentou escapar pela janela. A mãe do menino diz que, no momento da queda, ficou presa na sacada do apartamento, junto com outro filho, de 7 anos, depois que a porta, que só teria maçaneta por dentro, bateu."Minha irmã estava fazendo faxina na casa porque à noite era a festa de aniversário do atual marido. Foi quando meu sobrinho disse que ia pedir ajuda para a vizinha do outro bloco do prédio e se debruçou na janela", revela a tia. O garotinho caiu de uma altura de 12 metros. Uma vizinha chegou a dar um grito para ele não se aproximar da janela, mas não adiantou. Ele caiu em um piso de pedras, no estacionamento do edifício. Segundo a mãe do garoto, uma promotora de eventos de 22 anos, quando conseguiu sair da varanda, ela correu até o quarto onde estava o filho e percebeu que ele havia sumido. "Fiquei desesperada quando vi que ele tinha caído", disse à polícia. O delegado Rui Diogo da Silva, do 8º DP (Belenzinho), registrou boletim de lesão corporal culposa (quando não há intenção) e vai investigar o relato da mãe.O pai do menino, um analista de suporte de 26 anos, quer a guarda da criança. Segundo ele, há seis meses a ex-mulher impede que ele veja o filho e se muda constantemente de endereço. "Meus momentos com meu filho são raros, pois a mãe desaparece de tempos em tempos."Além da Justiça, o analista de suporte procurou o Conselho Tutelar. Ele queria comprovar que o filho sofria maus-tratos. "Toda vez que o levava para casa, ele tremia e chorava de desespero. O Conselho Tutelar disse que eu precisava reunir provas." A avó materna do menino estava muito abalada. Toda a família vive no mesmo condomínio. Uma das irmãs da mãe do menino contou que o padrasto paga todas as despesas da criança. Ela diz que a família, que se mudou há pouco tempo para o prédio, pretendia colocar redes de proteção nas janelas. "Só que só hoje (ontem) o rapaz foi colocar", afirmou.

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