Garoto de programa acusa pediatra

Um apartamento de um quarto, na rua Frei Caneca, no centro de São Paulo, tornou-se a nova peça do inquérito que investiga denúncias contra o terapeuta e pediatra Eugenio Chipkevitch, acusado de molestar sexualmente pacientes. Os investigadores chegaram ao apartamento por meio de uma denúncia anônima, recebida na segunda-feira à noite.Segundo o chefe dos investigadores, Waldir Tabach, um jovem, que se identificou como garoto de programa, afirmou à polícia que se encontrava com Chipkevitch no imóvel.Policiais fizeram uma vistoria no apartamento, acompanhados do zelador Hélio Firmino de Oliveira, que guarda as chaves do imóvel, comprado há nove meses. Segundo a polícia, Oliveira afirmou que o médico esteve no lugar na quarta-feira e retirou de lá um videocassete e algumas fitas. Os policiais disseram que a decoração era parecida com a do consultório do pediatra e num quarto havia uma cama grande e um aparelho de TV.O zelador depôs hoje na polícia. De acordo com o delegado Virgílio Guerreiro Neto, Oliveira disse que o médico freqüentava o apartamento três vezes por semana, sempre acompanhado por jovens de 18 anos, em média.Guerreiro confirmou que 15 pacientes molestados já foram localizados. O delegado afirmou que, até agora, apenas duas vítimas apresentaram queixa à polícia.Chipkevitch deve depor nesta quarta-feira, mas foi orientado pelo advogado Paulo Sérgio Leite Fernandes a só falar em juízo. Fernandes disse que quem terá prejuízo com a ação da polícia são as vítimas. "Vão acabar com a vida desses meninos, estão levando a eles uma realidade que poderá causar um trauma."Segundo o assistente de Fernandes, Otávio Augusto Rossi Vieira, a defesa está se apoiando no fato de que muitas das vítimas não devem aparecer para depor. "Não existe crime sem vítima."A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) anunciaram hoje a criação de um serviço de orientação por telefone para pais de crianças vítimas de abuso sexual. Pelos números 3284-0308, 3289-5320 e 3284-9809, em São Paulo, e 2548-1999 e 2547-3567, no Rio, os interessados receberão informações como profissionais aos quais recorrer. "Cada caso é diferente e tem seu próprio tratamento", disse o ex-presidente da ABP Marcos Ferraz.

Agencia Estado,

26 de março de 2002 | 20h58

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