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Atirador de escola de Goiânia ficará três anos internado

Rapaz de 14 anos matou dois colegas e feriu outros quatro em outubro; pena é a reclusão máxima prevista para adolescentes

André Borges, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2017 | 21h20
Atualizado 28 Novembro 2017 | 22h35

BRASÍLIA - O adolescente de 14 anos que matou dois colegas e feriu a tiros outros quatro jovens no Colégio Goyases, em 20 de outubro, em Goiânia, foi condenado à pena de 3 anos de reclusão em um centro de internação localizado no interior de Goiás. Por razões de segurança, não foi revelado o município em que o jovem cumprirá a pena.

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A reclusão de 3 anos é a pena máxima que o garoto poderia receber. Ao Estado, a advogada da família do adolescente, Rosângela Magalhães, afirmou que chegou a apresentar um pedido de semiliberdade para o garoto, o que lhe daria a possibilidade de voltar para casa à noite, mas a solicitação foi rejeitada.

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“Essa decisão era esperada, com base nos fatos. A nossa preocupação constante mesmo é garantir a segurança dele. Não tem local que garanta isso aqui em Goiânia, onde ele correria risco de morte. Por isso, deve permanecer no local onde já estava”, disse Rosângela. A família do jovem recebeu ameaças, segundo a advogada. 

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De acordo com Rosângela, o caso passará por reavaliações a cada seis meses, podendo abrir a possibilidade de que a internação seja, eventualmente, reduzida. “A gente sabe que a possibilidade de uma saída ocorrer daqui a seis meses é nula. Isso só tem alguma possibilidade de acontecer daqui a dois anos”, comentou.

A defesa do adolescente esperava a conclusão de laudos psicológicos e psiquiátricos. Segundo Rosângela, esses laudos não apresentaram nenhuma anomalia ou patologia. De acordo com a defesa, o jovem sofria bullying por parte dos colegas. 

Abatido

Nesta terça-feira, 28, durante o anúncio da sentença, o garoto permaneceu quieto. “Ele estava muito abatido, calado. A gente já vinha preparando ele para essa hipótese, dizendo que não havia outro caminho”, disse.

No internato, o adolescente terá direito a, no máximo, duas horas de visitação por semana. A previsão é de que fique em local isolado, convivendo com os demais apenas em horários de alimentação e banho de sol.

Rosângela Magalhães disse que a lei abre espaço para apresentação de recurso nos próximos dez dias. “Temos essa possibilidade, mas a ideia é não recorrer”, comentou.

 

O caso

O garoto é filho de policiais militares. A mãe atua na área administrativa, em cursos de formação de policiais da Academia da corporação. O pai, o major Divino Aparecido Malaquias, trabalha na Corregedoria da polícia e já foi comandante do Batalhão da PM que faz a segurança do complexo prisional de Aparecida de Goiânia.

Na manhã de 20 de outubro, o estudante sacou uma arma que havia levado dentro da mochila no intervalo entre as aulas e atirou contra seus colegas em uma sala do 8.º ano do colégio, em um bairro de classe média da cidade de Goiânia. A pistola pertencia à mãe do rapaz.

Os adolescentes João Pedro Calembo e João Vitor Gomes, ambos de 13 anos, morreram no local. Outros quatro alunos - Yago Marques e Marcela Macedo, de 13 anos, Lara Borges e Isadora de Morais, de 14 - também foram atingidos pelos disparos, mas escaparam com vida. Isadora ficou paraplégica e hoje passa por tratamento no Centro de Reabilitação e Readaptação Doutor Henrique Santillo, na capital do Estado.

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