Gasto de mais de R$ 100 por mês é ''''absurdo'''', diz motorista

A administradora de empresas Juliana Picchiai, de 24 anos, que mora na Vila Madalena e trabalha em Alphaville, não gostou nada de saber que poderá ter de desembolsar mais de R$ 100 por mês, com pedágio, para ir e voltar do trabalho. "É um absurdo. Era só o que faltava", desabafou. "Quem mora em São Paulo já sofre todo dia ao sair de casa, porque há trânsito em todas as avenidas e não tem como escapar. Ter de pagar mais isso é revoltante."Para ela, o ideal seria que o governo investisse em transporte público de qualidade em vez de obrigar o motorista a pagar por mais uma obra viária. Seria uma forma, também, de estimular as pessoas a deixarem o carro em casa e diminuir o trânsito. "Precisa ficar mais explícito, por exemplo, se esses Cebolões (complexos viários nas ligações das Rodovias Castelo Branco e Anhangüera com a Marginal do Tietê) vão beneficiar mais gente do que fazer mais estações de metrô, trens e ônibus. Eu gostaria de ver um estudo desse tipo.""Se, para construir viaduto, é preciso pagar pedágio e fechar a única entrada livre de São Paulo, só me resta gritar. É um absurdo. Isso aumenta o custo- Brasil", reclamou Manoel de Sousa Lima Júnior, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região (Setcesp).A questão do valor do pedágio, que está sendo negociado por R$ 2,80, também causa preocupação a Juliana. "Por enquanto, é esse valor. Depois, deve haver reajuste, que, provavelmente, será muito maior que o dissídio. É desproporcional ao que as pessoas ganham. Você pode ser obrigado a deixar de ter um lazer para pagar isso."

Laura Diniz e Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

12 de fevereiro de 2008 | 00h00

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