Gasto em segurança criaria 2 milhões de empregos

No Rio, em 6 anos, setor de comércio, serviço e turismo gastou R$ 28,7 bi em vigilância privada

Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

17 Abril 2008 | 00h00

O gasto com segurança privada no Estado do Rio foi de R$ 28,7 bilhões em seis anos (2002-2007) apenas no setor de comércio de bens, serviços e turismo. O dado foi divulgado ontem pelo presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio (Fecomércio-RJ), Orlando Diniz. Segundo ele, o valor poderia ter sido aplicado na geração de até 2 milhões de empregos formais com salário médio de R$ 700. A análise não abordou a quantidade de empregados na segurança privada. O cálculo do gasto inclui, além dos vigilantes, compra e manutenção de equipamentos. Ele citou os números ao comentar uma pesquisa encomendada pela Fecomércio-RJ à Ipsos, na qual foram ouvidas mil pessoas com 16 anos ou mais em 70 cidades de 9 regiões metropolitanas, em fevereiro. Entre duas opções, 72% dos entrevistados escolheram, como melhor solução para a criminalidade e a violência, "mais atenção (dos governos) sobre a condição de vida da população, porque sem moradia, saúde, educação e emprego o jovem sempre vai ver o crime como uma das únicas opções para melhorar sua vida". Dos entrevistados, 26% escolheram a opção que aponta como solução uma "política de segurança pública forte, com policiais mais inteligentes e mais bem pagos, leis e punições mais severas e muito mais presídios de segurança máxima". Um ano antes, o mesmo questionário recebera o apoio de 60% para a opção de políticas sociais, ante 39% para a segunda. "A pesquisa mostra que a população vê como caminho uma solução de longo prazo, de inclusão e geração de emprego e opções de lazer", disse Diniz. Ele admitiu a responsabilidade do setor na geração de emprego. "O comércio é a porta de entrada, reconhecemos nosso papel nas ações que precisam ser feitas." Segundo ele, porém, "não se faz da noite para o dia" a migração dos gastos em segurança. Dos entrevistados, 60% apontaram o governo federal como responsável pelo combate à criminalidade - 23% afirmam que é papel dos Estados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.