Gate queria impedir TV de falar com invasor

O telefone do Departamento de Comunicação da Polícia Militar disparou ontem, logo após a apresentadora Sônia Abrão, do A Tarde É Sua, da Rede TV!, mostrar uma entrevista ao vivo com Alves. Oficiais da tropa de elite da Polícia Militar pediam para a corporação intervir e pedir à emissora que retirasse a reportagem do ar. Cobertura online e todas as notícias sobre o seqüestro A atitude da TV, para a PM, é "incorreta", "atrapalha" e coloca em risco o trabalho dos negociadores. Um capitão do Exército, que pediu para não ser identificado, estava inconformado. "Para esse tipo de ocorrência existem pessoas treinadas, especializadas. Às vezes, uma palavra errada da apresentadora coloca tudo a perder." À noite, a TV Globo também entrou em contato com o seqüestrador. As entrevistas dividem especialistas. Para o presidente do Instituto de Estudos de Televisão (IETV), Nelson Hoineff, o "furo jornalístico" foi um ato louvável. "Não tem nada de pernicioso em correr atrás de um furo desses." Já para o professor Laurindo Leal Filho, da Escola de Comunicação e Artes da USP e apresentador de um programa sobre ética na TV Câmara, a interferência da televisão em um caso como esse, além de perigosa, é inconstitucional. "Uma concessionária de serviço público não tem direito de interferir em assuntos das esferas policial e judicial. O compromisso deve ser só com informação, educação e entretenimento. Isso está previsto na Constituição. Em um país sério, a concessão dessa emissora seria cassada." Com uma média diária de 2 pontos de audiência no horário da entrevista, A Tarde É Sua chegou a registrar pico de até 5 pontos durante a conversa com Alves.

Camila Haddad e Keila Jimenez, O Estadao de S.Paulo

16 Outubro 2008 | 00h00

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