''Gatos'' desviam 5,4 bi de litros d?água

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) identificou no ano passado 21.165 imóveis com equipamentos de medição de água fraudados na capital e em outros 36 municípios da região metropolitana. O volume de água desviado chega a 5,4 bilhões de litros em um ano. Esse montante abasteceria mensalmente uma cidade com 1,5 milhão de habitantes - atenderia Guarulhos, com 1,2 milhão de pessoas, e sobrariam litros para a demanda de Suzano, com 270 mil, por exemplo.Para encontrar os fraudadores, foram realizadas 155.569 vistorias por técnicos da Sabesp nas cidades da Grande São Paulo, com exceção de Diadema e Santo André, que operam sistemas próprios de distribuição. Com a regularização dos "gatos", voltam a ser arrecadados para a Sabesp R$ 26,1 milhões por ano.O consumo irregular de água na região metropolitana não faz distinção social. Moradores de regiões carentes, concentradas na periferia, e de bairros nobres, como Higienópolis, Pacaembu, Jardins, Moema e Campo Belo, fraudam equipamentos de medição. "Temos casos de estabelecimentos famosos nos Jardins, como restaurantes, que adulteram os hidrômetros", afirmou José Antonio Soares de Oliveira, gerente da Unidade de Negócios Centro da Sabesp.No ano passado, após vistoria, um famoso restaurante em Moema, que violava o hidrômetro, teve de pagar R$ 70 mil à Sabesp. Um edifício de luxo no mesmo bairro da zona sul também fez uma ligação clandestina. Quando a fraude foi descoberta, o condomínio pagou o que devia: R$ 87 mil. Quanto mais nobre o fraudador, mais estratégias, no entanto, para driblar os fiscais são adotadas, como não deixar pistas à mostra. "Existem pessoas especializadas que prestam esses serviços", disse Oliveira.Um outro exemplo de violação foi usado em um restaurante na Haddock Lobo, nos Jardins, que violava o hidrômetro no ano passado. A carcaça do equipamento foi arrancada e a água passava sem medição. Normalmente estabelecimentos de áreas nobres deixam a água passar por um tempo e depois voltam o hidrômetro ao normal para driblar os fiscais, segundo a Sabesp.De acordo com o assistente executivo da Diretoria Metropolitana do órgão Nilton Seuaciuc, existe uma correlação direta entre poder aquisitivo e consumo de água. "Enquanto nos bairros nobres o consumo por pessoa por dia é de 400 litros de água, nos conjuntos habitacionais é de 100 litros." Ou seja, o rombo para a Sabesp é maior em bairros ricos. Além disso, segundo técnicos, nessas regiões estão concentrados serviços e comércios, com competição acirrada.Quando os técnicos detectam a fraude, a pessoa recebe um auto de intimação e tem cinco dias para regularização na Sabesp. Um sistema calcula o quanto de água deixou de ser pago e seu valor. Isso é possível porque há o histórico de cada imóvel nos últimos cinco anos. Não há cobrança de multa.

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