Gatos são mortos na zona sul

35 foram envenenados com ''chumbinho'' desde 2008; Ministério Público será acionado

MARICI CAPITELLI, marici.capitelli@grupoestado.com.br, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2009 | 00h00

Pelo menos 35 gatos foram mortos no último ano em Campo Belo, zona sul, sendo cinco só na semana passada. Dois estão desaparecidos. Os animais estão sendo envenenados nas imediações da Rua Unapetinga. Laudos necroscópicos apontaram que o produto utilizado foi o "chumbinho", cuja venda é proibida. Entretanto, é possível comprá-lo com facilidade, como fez a reportagem.Os donos de gatos estão apreensivos e prendendo seus animais em casa. O Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Campo Belo irá acionar o Ministério Público. A artesã Martha Christina Campos de Araújo, de 52 anos, teve 12 felinos mortos. A última foi Bombom, encontrada morta no quintal do imóvel na manhã de segunda-feira. No dia anterior, o gato de um vizinho foi encontrado agonizando."Ela estava com todas as características de envenenamento, como os anteriores." No dia seguinte, Martha encontrou os corpos de outros três gatos com as mesmas características de envenenamento. Na quarta-feira foi a vez de uma gata amanhecer morta no quintal. "E, na sexta-feira, duas gatas que não saíam de casa, sumiram."ENVENENAMENTOO envenenamento de animais é considerado crime pela Lei 9605/98, que prevê detenção de três meses a um ano e multa. Denúncias podem ser feitas pelo número 3214-6553.De acordo com o veterinário Oscar Sils, do Resgate Veterinário, o "chumbinho" provoca uma hemorragia interna generalizada. Se o animal for socorrido entre 15 e 30 minutos depois da ingestão, as chances de salvá-lo chegam a 90%. É um veneno agrotóxico de uso exclusivo na lavoura. Acredita-se que é eficiente para matar ratos, o que não é verdade, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O veneno parece ser potente porque o roedor morre na hora. Só que, segundo o órgão, os demais ratos passam a evitar o alimento envenenado.De acordo com a Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa), a fiscalização da comercialização desse produto é de competência da Secretaria de Estado de Agricultura. No final do ano passado, a reportagem conseguiu comprar "chumbinho" em dois estabelecimentos da zona norte da capital e numa feira livre.

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