Gaudenzi encaminha proposta para acabar vôos atrasados

Presidente da Infraero afirmou que companhias aéreas prometem horários que não conseguem cumprir

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo,

03 de março de 2008 | 20h41

O presidente da Infraero, a estatal que administra os aeroportos, Sérgio Gaudenzi, encaminhou segunda-feira, 3, ao Ministério da Defesa uma proposta para acabar com a "ficção" dos horários dos vôos, especialmente nos trajetos que têm muitas escalas. Segundo Gaudenzi, estudo feito nos principais aeroportos mostrou que as companhias aéreas muitas vezes subestimam o tempo que ficarão em solo entre um vôo e outro - para desembarcar e embarcar passageiros e preparar o avião para nova decolagem - e prometem horários que não conseguem cumprir. Com isso, as partidas atrasam e os passageiros enfrentam longas esperas. O presidente da estatal quer que a Defesa determine tempos "mais realistas" de permanência dos aviões nos pátios dos aeroportos.  Se a Defesa encampar a proposta da Infraero, as companhias terão que rever os horários dos vôos que operam. Gaudenzi deu o exemplo do aeroporto de Guarulhos. Grande parte das empresas aéreas estima tempo de permanência em solo, entre um trecho e outro, em vinte minutos. "É impossível desembarcar e embarcar passageiros em Guarulhos em vinte minutos. Nossa proposta é que o tempo de permanência seja de 45 minutos. Uma empresa não pode dizer que vai pousar às nove horas e que vai decolar vinte minutos depois. As empresas devem ser mais realistas", afirmou o presidente da estatal. Neste exemplo, a companhia aérea que fez um vôo com pouso às 9 horas em Guarulhos não poderá prometer o vôo seguinte da mesma aeronave para as 9h20, mas para as 9h45. "O quadro de horário vai mudar e o passageiro não precisará mais chegar ao aeroporto contando com um horário fictício", afirmou Gaudenzi. Pela proposta da Infraero, além de Guarulhos, os aeroportos de Brasília e do Galeão, no Rio, teriam tempo de permanência em solo de 45 minutos. Congonhas tem tempo mínimo de permanência definido por portaria da Defesa, em 40 minutos, o que seria mantido. Outros dez aeroportos, como de Campinas, Belo Horizonte e Recife, também teriam tempo de permanência estimado em 40 minutos e para os demais, de menor movimento, o tempo seria de 30 minutos.  O diretor de Operações da Infraero, brigadeiro Cleonilson Nicácio Silva, disse 56% dos atrasos em Guarulhos são motivados por atrasos anteriores do mesmo avião, gerando um efeito cascata. Gaudenzi comemorou a redução dos índices de atrasos durante a Operação Verão, de 21 de dezembro a 29 de fevereiro. A média de atrasos de mais de uma hora em fevereiro foi de 7,25% dos vôos. Em novembro do ano passado, foram 11,26% e em dezembro, 14,63%. No mês de janeiro, o índice foi de 10,57%. A Ocean Air foi a empresa com maior proporção de atrasos. Chegou a 38,15% dos vôos em janeiro e caiu para 17,7% em fevereiro. As menores taxas foram da TAM, com 4,72% em fevereiro. O brigadeiro disse que as estimativas mais realistas de permanência em solo ajudarão a reduzir também os atrasos de menos de uma hora. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está em fase de consulta pública para aumentar as tarifas de permanência cobradas das empresas aéreas, para diminuir o congestionamento nos pátios dos aeroportos. Essas tarifas, no entanto, referem-se a períodos mais longos de estacionamento das aeronaves, quando elas ficam paradas por algumas horas.  O presidente do Sindicato Nacional de Empresas Aéreas (Snea), José Márcio Mollo, disse que desconhece estimativas de tempo de permanência de apenas vinte minutos. "Em geral, o tempo é de 40 minutos", afirmou. Mollo disse que ainda não foi informado pela Infraero sobre a possibilidade de serem fixados tempos de permanência em solo, o que acarretaria na mudança de horários de vôos. "Isso é que é complicado. Mudar de novo a malha aérea. Vai ser a quarta ou quinta mudança desde agosto", afirmou o presidente do Snea.

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