Gaudenzi pede entrega de cargos na Infraero

Na posse de novo presidente da estatal, Jobim cobra ?competência?

Isabel Sobral e Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

No primeiro ato depois da posse, o novo presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, anunciou uma medida que aponta para uma reestruturação completa da estatal da infra-estrutura aeroportuária. Ele pediu a todos os atuais diretores, superintendentes regionais e assessores ligados à presidência da estatal que coloquem os seus cargos à disposição. "Vou examinar o quadro e tenho minhas possibilidades de indicações (para os cargos) que colocarei antes ao ministro", afirmou Gaudenzi na primeira entrevista coletiva após receber o cargo do brigadeiro José Carlos Pereira.Ele não antecipou nomes, mas disse que o critério para escolha de novos dirigentes será técnico. No entanto, não descartou a possibilidade de indicar políticos, desde que tenham características técnicas. "Se eu assim não fizesse, estaria excluindo a mim mesmo", comentou Gaudenzi que é filiado ao PSB e desde julho de 2004 presidia a Agência Espacial Brasileira (AEB). Durante a solenidade de transmissão de cargo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, cobrou ação e rapidez de seus assessores na solução dos problemas que tumultuam os aeroportos há onze meses. "Temos que agir no curto prazo porque o tempo não é nosso, é da Nação", afirmou Jobim, acrescentando que Gaudenzi terá liberdade para constituir a direção da Infraero com pessoas "que não apenas prometam competência, mas que tenham demonstrado competência".A solenidade, prestigiada por parlamentares e militares, mas sem a presença dos dirigentes de companhias aéreas, foi marcada pela troca de farpas. O presidente que deixou o cargo disse que houve falhas e erros cometidos ao longo desses onze meses que não são técnicos, mas de origem ética e moral. "A origem de muito do que estamos passando se centra em questões éticas e morais", afirmou. "A lei que não foi cumprida, a lei que foi esquecida ou na hora da decisão a questão ética não foi adotada", completou o brigadeiro.A substituição de dirigentes será feita rapidamente, disse Gaudenzi, citando o prazo de quatro semanas dado pelo ministro Jobim para que a Infraero faça um levantamento sobre as condições de segurança nas pistas dos principais aeroportos do País. O estudo deverá incluir a pavimentação, as áreas de escape, o balizamento e o zoneamento urbano em torno dos aeroportos.Ele defendeu um trabalho harmônico entre Infraero, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Departamento de Controle de Tráfego Aéreo (Decea) da Aeronáutica e, para isso, vai sugerir reuniões periódicas dos três órgãos para coordenar as ações. "Sei que há uma relação difícil hoje entre esses órgãos, particularmente entre Infraero e Anac, mas é preciso trabalhar juntos", afirmou. Gaudenzi disse ainda que implementará em sua gestão a rotina de pedir ao Tribunal de Contas da União (TCU) que faça análises preventivas dos editais e contratos da Infraero e não apenas a posteriori. O presidente disse que não aceitará pedidos de natureza política, se concentrando na parte técnica da administração dos aeroportos . "As demandas políticas devem ser encaminhadas ao ministro Jobim", avisou.Ele afirmou ainda que vai debater a possibilidade de abertura do capital da Infraero. Hoje quase 90% das ações da estatal são da União e estuda-se vender o que exceder 51% - patamar que mantém o controle acionário. "Não tenho preconceito quanto ao tema, mas é preciso discutir com calma."

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