Gaviões e Mancha contestam decisão da Liga das Escolas de Samba

A Liga das Escolas de Samba de São Paulo e duas agremiações ligadas a torcidas de futebol, a Gaviões da Fiel e a Mancha Verde, estão no centro da polêmica sobre os desfiles do carnaval da capital. A entidade alega que, desde 2002, o regulamento prevê que seja criado um grupo à parte para escolas ligadas a torcidas de futebol, sob pretexto de evitar incidentes entre os integrantes das organizadas. A entidade propõe que as duas agremiações desfilem nas noites do Grupo Especial, mas que as notas sejam avaliadas em separado. Ou seja, se corintianos ou palmeirenses forem os melhores do carnaval paulistano, não poderão erguer o troféu. Tanto Gaviões quanto Mancha alegam terem decisões judiciais que anulam a criação do grupo de escolas esportivas e lhes garantem a participação na elite do samba. "O juiz declarou nulo o dispositivo do regulamento que segrega as escolas", disse o advogado dos corintianos, Gilberto Jabur. "Isso também dá à Mancha o direito de disputar o Grupo Especial", alegou o defensor dos palmeirenses, Jorge Henrique Guedes. Na sentença a favor da Gaviões, de 27 de dezembro, o juiz da 33ª Vara Cível escreve: "A (...) Gaviões da Fiel Torcida e a Mancha Verde não podem ser punidas por conquistarem, segundo normas claras e por mérito próprio, o direito de participar deste seleto Grupo Especial do Carnaval Paulista, nada parecendo justificar o isolamento ou alijamento do dia do desfile que lhes caberia". Tanto corintianos quanto palmeirenses reclamam de boicote das outras escolas. Os sambistas das agremiações mais tradicionais, por sua vez, alegam que Gaviões e Mancha são "de outra cultura que não a do carnaval" e já temem os ânimos mais exaltados por conta desse imbróglio jurídico. Colaboraram: Arthur Guimarães, Camila Anauate e Gilberto Amendola

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