Gaviões se revoltam e já planejam volta

Na quadra da Gaviões da Fiel, na Barra Funda, zona oeste, o clima era de um certo conformismo, mas era difícil esconder a revolta pelo rebaixamento. Todo o tempo, os diretores tentavam animar as cerca de 600 pessoas que, apesar da chuva, saíram do sambódromo e foram à acanhada quadra. "Eu peço desculpas em meu nome e no da diretoria. A gente fez o que pôde, mas não deu", lamentou o puxador Ernesto Teixeira.Mesmo triste, a bateria tocava o tempo todo o enredo da vitória da Gaviões, em 1995. "Me dê a mão, me abraça, me leva contigo pro céu. Sou Gaviões, levanto a taça, com muito orgulho e pra delírio da Fiel." O pessoal tentava manter a animação e fazia questão de reafirmar que voltaria ao Grupo Especial.Quando chegou a notícia da vitória da Mancha Verde no Grupo de Acesso, por meio de uma TV instalada em um carrinho de cachorro-quente, a tristeza ficou ainda maior. "Os porcos subiram", disse um torcedor, que não se identificou, com o rosto molhado de lágrimas.Embora conformado, o presidente da escola, Ronaldo Pinto, questionou as notas da Gaviões no quesito alegoria. "Teve escola que levou carros alegóricos de bloco e tirou 10. Nós, com os carros mais bonitos do desfile, ficamos com dois 9,5", disse, revoltado.ErroCuriosamente, o presidente da Liga, Robson de Oliveira, havia dito no primeiro dia de desfiles ter certeza de que a Gaviões não seria rebaixada. "O rebaixamento está absolutamente descartado. Eles vão perder algumas posições, mas permanecem no Grupo Especial", garantiu.Alguns integrantes da comissão de frente - uma das mais bonitas do carnaval, com robôs gigantes - estiveram na quadra, usando os sapatos que os deixavam com quase 3 metros de altura, para se solidarizar com os companheiros. "Quem entende a nossa gente? Na dor ou na alegria, a Gaviões é Fiel e faz festa do mesmo jeito", disse Pinto.

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