GCM faz deficiente comer pastel em pé

Ordem irritou feirantes do Pacaembu

Renato Machado, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

25 de julho de 2008 | 00h00

Está virando uma tradição na feira livre do Pacaembu. Por um momento, os clientes das barracas de pastel param as refeições e levantam rapidamente para os funcionários recolherem os banquinhos, enquanto a Guarda Civil Metropolitana fiscaliza o cumprimento da legislação que proíbe assentos além dos 16 metros quadrados a que as barracas têm direito. Depois, tudo volta ao normal.A rotina ontem foi quebrada, quando fiscais obrigaram uma deficiente a se levantar. Feirantes e clientes ficaram revoltados. Houve tumulto.Quando o agente da Prefeitura e três guardas chegaram ao local, um dos feirantes gritou "olha a Guarda", para avisar da presença da fiscalização. A partir daí, todos os clientes começaram a levantar, menos a professora Luciana Parisi, de 43 anos. Ela sofre com as seqüelas de uma paralisia cerebral, que prejudica seus movimentos e a fala. Todos que a vêem identificam o problema.Mesmo assim, um guarda exigiu que Luciana se levantasse. "A lei é para todos", disse. Com a ajuda de um amigo, ela ficou em pé e começou a discutir com os guardas. Muitos feirantes vieram e aumentaram a confusão, que só acabou quando a GCM foi embora. Só então, ela terminou o seu pastel, em pé. "Nem na hora de comer um pastel o deficiente é respeitado", disse Luciana.O secretário do Gabinete de Segurança, Edsom Ortega, disse que "se o guarda sabia ou foi informado de que a pessoa era deficiente, agiu de forma incorreta e deve responder (pelo ato)."

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