Gedimar nega encontro com Freud para ´operação abafa´

Gedimar Passos, ex-integrante do comitê de campanha de Lula que foi preso em São Paulo com parte do R$ 1,75 milhão destinado à compra do dossiê contra tucanos, negou nesta quarta-feira que tenha se encontrado com Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência nas dependências da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Gedimar depôs no inquérito presidido pelo delegado Moysés Eduardo Pereira aberto para apurar a suposta "operação abafa" noticiada pela Revista Veja, segundo a qual ele teria se encontrado com Freud logo após a acareação regular entre os dois, no dia 18 de setembro. Segundo Veja, Gedimar teria sido levado a um encontro com Freud no gabinete do delegado-executivo da Superintendência da PF paulista, Severino Alexandre, fora das normas e em uma situação que poderia caracterizar coação de testemunhas.Devido a um acordo com a PF, Gedimar Passos entrou no prédio da superintendência em Brasília pela garagem na tentativa de evitar a imprensa. O depoimento, de 17 páginas, durou três horas e meia. Segundo Luciano Anderson de Souza, advogado de Passos, o ex-agente da PF que trabalhava no núcleo de inteligência da campanha de Lula, negou conhecer Severino Alexandre e reafirmou que seus únicos contatos com Freud Godoy antes da acareação realizada no dia 18 de setembro foram em agosto, quando prestou serviços ao comitê de Lula. Conforme informações da PF, Passos declarou no depoimento só ter deixado sua cela na carceragem da polícia em duas oportunidades: quando foi conduzindo para a acareação com Freud e quando foi transferido para Cuiabá.O delegado Moysés Pereira não quis falar sobre o depoimento. Ele foi acusado pela Revista Veja de ter cometido abusos, constrangimentos e ameaças "em um claro e inaceitável ataque à liberdade de expressão". Três dos cinco jornalistas responsáveis pela reportagem que relatou o suposto encontro entre Freud e Gedimar prestaram depoimento ao delegado na última terça-feira.

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