Geleião pode ser ouvido no caso da morte de prefeito de Campinas

O Ministério Público (MP) de Campinas irá solicitar à Justiça que o preso José Márcio Felício, o Geleião, seja ouvido em juízo como testemunha do assassinato do prefeito Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, em 10 de setembro do ano passado. A data do depoimento ainda será marcada, mas deverá ocorrer após a segunda audiência do processo, prevista para o próximo dia 12, conforme o promotor criminal Fernando Viana.Geleião, um dos fundadores da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), disse à polícia de São Paulo que Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, lhe teria confessado o assassinato do prefeito porque Toninho pretendia alterar as linhas de peruas alternativas no município em uma reforma do sistema de transporte urbano. Andinho seria dono de várias peruas e não teria gostado da mudança, conforme Geleião.A confissão teria sido feita em um encontro de Geleião e Andinho no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, durante um horário de visitas. O detento relatou o ocorrido à polícia no último dia 8. Viana comentou que o MP foi comunicado do depoimento há pelo menos uma semana, mas ainda desconhecia o teor. Uma cópia foi solicitada pelo Ministério, que decidiu pedir para Geleião reproduzir o relato em juízo. O promotor afirmou que o MP prefere que depoimento ocorra por carta precatória, em Presidente Bernardes. "Será mais seguro e Andinho poderá estar presente", disse Viana. Ele acrescentou que a Promotoria havia mantido em aberto a motivação do crime. "Nunca fechamos essa questão e nunca dissemos que havia sido crime banal", afirmou o promotor. A tese de crime banal foi defendida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que encerrou o caso e denunciou a quadrilha de Andinho como responsável pelo assassinato. Para o DHPP, Toninho foi morto porque atrapalhou a rota de fuga do bando. Andinho é o único vivo dos quatro acusados pelo DHPP. Ele nega a acusação. Viana disse que a versão apontada por Geleião precisa ser averiguada. "Não sabemos se é verdadeira ou mesmo se Andinho falou isso para justificar uma ação que não tinha justificativa. Afinal, ele precisava se explicar, porque a polícia voltou as atenções para Campinas, que ficou ?na gíria dos bandidos", apontou.De qualquer forma, o promotor considerou positivo o depoimento porque reforça a tese de participação da quadrilha de Andinho no crime. Além de ouvir Geleião, a Promotoria pediu esclarecimentos à prefeitura sobre o funcionamento das peruas na cidade. O MP suspeita que parte do transporte alternativo seja usado para lavagem de dinheiro. "A prefeitura já havia sido comunicada de nossa suspeita", afirmou Viana. Dois meses depois da morte de Toninho, a Secretaria de Transportes de Campinas reformulou o sistema de transporte urbano. As cerca de 500 peruas foram realocadas para cobrir linhas seletivas, com passagens a R$ 1,50, R$ 0,20 a mais que a dos ônibus circulares. A mudança gerou protestos dos perueiros e ações judiciais para redução do preço da tarifa. Segundo o promotor Fábio Constantim, Andinho tem pelo menos 70 anos de condenação por roubos e homicídios, e é acusado em outros 34 processos, entre inquéritos policiais e ações judiciais, entre elas o assassinato do prefeito e cinco seqüestros. Ele foi preso em fevereiro deste ano.

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