General diz que traficantes seguem "lei do mercado"

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, afirmou que o problema do narcotráfico no Brasil obedece à lei de mercado e, por conta disso, é preciso combater a demanda por droga. "Se há demanda, há oferta. É preciso reduzir esta demanda e acho que isto passa, principalmente pela educação", disse, concordando com a afirmação que o comandante da PM, Wilton Ribeiro fez no dia anterior, que as pessoas precisam "fumar menos, cheirar menos e injetar menos".Para Cardoso, através de programas educativos é possível orientar a juventude sobre o problema das drogas. "Com educação, o jovem aprende a dizer não", observou. O general fez uma palestra sobre "Ética e corrupção", pela manhã, no último dia da 1ª Conferência Executiva de Segurança Pública para a América do Sul, realizada na Marina da Glória, na zona sul.O ministro-chefe considera que os usuários de drogas não podem ser julgados como bandidos. "O consumidor não tem que ser tratado como criminoso. A dependência é uma doença", afirmou. Cardoso citou um programa que foi criado nos Estados Unidos, qualificado de Justiça terapêutica. No caso, o usuário recebe uma pena especial e o uso de drogas é considerado um pequeno delito, já que o Estado encara o ato como conseqüência de uma doença.O general preferiu não comentar a afirmação do secretário de Segurança Pública do Rio, Josias Quintal, de que a ação da Polícia Federal é "inócua e inadequada". "Não tenho conhecimento das críticas dessa maneira", desconversou. Ele disse que o trabalho da PF "está melhorando muito e se aperfeiçoando". Cardoso ressaltou, porém, que impedir a entrada de armas e drogas jamais será uma ação completamente eficiente. "Não há bloqueio perfeito. Da mesma forma que o contrabando entra pelas fronteiras do País, entra pelos Estados", observou. Para Cardoso, não é o caso de se achar culpados e sim, de se fazer um esforço conjunto.

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