General que comandou ocupação do Alemão diz que traficantes planejavam matá-lo

Escutas da inteligência do exército flagraram conversa de bandidos; declaração foi dada ao jornal O Globo

O Estado de S. Paulo,

30 Agosto 2012 | 09h59

São Paulo, 30 - O general Adriano Pereira Júnior, comandante militar do Leste, afirmou em entrevista ao jornal O Globo que havia um plano de traficantes dos complexos do Alemão e da Penha para assassiná-lo. No depoimento, dado ao jornal na terça-feira, 28, o general disse que a descoberta foi feita por uma interceptação telefônica da inteligência militar em janeiro de 2011, cerca de um mês depois de o Exército assumir a segurança das comunidades.

A gravação mostra a conversa de dois bandidos que dominavam 23 favelas da região. Desde então, o militar teve que reforçar sua segurança. "Eu não queria, mas a partir daquele mês fui obrigado a ter uma segurança pessoal nos meus deslocamentos. O serviço de inteligência descobriu que traficantes estariam pensando em alguma coisa, atribuindo ao general Adriano tudo de ruim que estava acontecendo com eles", disse ao jornal carioca.

Apesar das ameaças, o militar afirma que não mudou radicalmente seus hábitos. "Não deixei de correr e caminhar na orla de Botafogo e Flamengo". Pereira Júnior deixa o comando militar do Leste nesta quinta-feira para coordenar o setor de logística no Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. Ele será substituído pelo general Francisco Carlos Modesto.

O estadão.com.br tentou contato telefônico com a seção de comunicação do Exército no Rio de Janeiro, mas não obteve resposta.

Retirada. As tropas do Exército deixaram os complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, no dia 9 de julho, pouco mais de um ano e sete meses depois da ocupação. A Polícia Militar voltou a tomar conta da segurança nas comunidades por meio das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs).

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