Genro de secretário, empresário nega privilégio em contratos

Lafayette diz que relação com Miguel Del Busso é 'apenas cordial' e ele nem sabe de suas atividades profissionais

ARIRANHA, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2011 | 03h07

O empresário Laffayette Alfredo de Morais, de 24 anos, dono da Construlara, negou haver relação entre o fato de ser genro de Miguel Del Busso e a contratação de sua empresa pelas prefeituras. "Não existe nada disso. Nem me preocupo em saber de qual secretaria ou fonte de governo as prefeituras recebem as verbas", disse.

"E minha relação com meu sogro é apenas cordial, não tenho intimidade com ele, pois ele foi contra meu namoro e meu casamento. Não temos uma amizade tão próxima e nem ele sabe das minhas atividades profissionais", declarou. "Tenho certeza que, se pedisse para ele interferir e mandar obra para minha empresa, ele mandaria a filha dele largar de mim."

Segundo Morais, o fato de estar recebendo obras bancadas com verbas de uma secretaria na qual seu sogro trabalha não significa que ele esteja sendo privilegiado ou participando de qualquer ato irregular. "Meu negócio é com as prefeituras; é com elas que tenho contrato para prestar o serviço. Se há algum problema, quem tem de ver é o prefeito."

Morais disse conhecer o presidente do PTB, Campos Machado, mas negou que ele, ou seu sogro, estejam envolvidos em irregularidades. "Não acho que meu sogro ou o Campos Machado jogariam no lixo uma reputação de muitos anos por conta de comissão de R$ 5 mil ou R$ 10 mil, pois as verbas são valores baixos se levar em consideração a grandiosidade de outras obras públicas", afirmou.

Prejuízo. O fato de ter sido contratado para sete obras em Santa Adélia, por exemplo, Morais atribuiu ao seu trabalho de "correr atrás de obras nas prefeituras". "Minha funcionária vai a todas as prefeituras acompanhar as portarias que são fixadas nos murais, e é por lá que ficamos sabendo das obras", disse.

"Eu faço meu trabalho, ganho as licitações porque apresento os documentos corretamente e ofereço o melhor preço, embora de vez em quando acabe levando prejuízo", disse. "Jamais um prefeito pediu algo para mim e duvido que o Campos ou o Del Busso teriam pedido algo por mim."

De acordo com Morais, desde que foi criada, sua empresa contratou 22 obras públicas, entre federais e estaduais; 16 obras particulares de pessoa física; cinco obras particulares de pessoa jurídica; e 10 obras pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

Morais disse que, se fosse privilegiado, teria sido contratado para muito mais obras. Como exemplo, ele citou a Prefeitura de Ariranha, onde sua empresa está estabelecida.

"O prefeito aqui é do PTB, meu sogro foi vereador aqui, então eu teria de ter pego muitas obras aqui, mas só peguei uma", argumentou.

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